terça-feira, 20 de setembro de 2011

Imparcial


Você é imparcial?
Fico pensando quando vejo uma contenda na família, que é o lugar de mais harmonia e paz que se tem, ou que se deveria ter.
Tentei formular algo sobre e saiu assim: se você terá algum tipo de proveito nos âmbitos financeiro, de poder ou afetivo, quando uma das partes ganhar uma contenda, você nunca será imparcial.
O ser humano é assim, só vê por uma lente completamente embaçada do seu ego.
Vou dizer mais, se você nunca se deitou num caixão, não vai entender mesmo que ao pó retornaremos. Sem gavetas pra levar nada, sem porta retratos, sem diplomas, presumo que só lembranças na hora final!
Lúgubre não é?
Às vezes tem que se ser duro, como educando uma criança, a criança do nosso interior. Ao mesmo tempo em que o “não” é fundamental ele pode ser destrutivo, mas acho que só os fracos se deixam destruir.
Então, não se deixe levar pelo tom lúgubre, só deixe a paz te preencher, aquela ausência de atitudes. Sem movimento não há medo, sem movimento não há tempo. Tome o tempo pra si e deixe o nada do final te mostrar o “como”. O “onde” e o “quando” é só uma questão de percepção.
Não vale a pena, tomar o partido pra agradar ou para se livrar de dar uma opinião. Não pensou a respeito, não opine. Não tem certeza, não fale. Desagrade agora, para não ser desagradável o resto da vida na lembrança das pessoas. Prefira a saída leve de dizer, “pense mais um pouco” do que incentivar ao embate.
“Let it be” 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Desatando Nós


Você sabe desfazer um nó? Não estou dizendo fazer um nó, isto tem milhares de técnicas, falo mesmo é desmanchar um emaranhado. Sou especialista nisso.
Quando eu tinha uns 10 ou 11, minha mãe entrou na moda de fazer toalhinhas de mesas de nylon. Pareciam àquelas agulhas de pescador fazer rede, só que um pouco menores. Ela passava horas do dia fazendo nozinhos e eventualmente ela tinha que desmanchar algo, ou os “novelos” embaraçavam, aí o filhote aqui entrava em ação.  Vou explicar sucintamente porque não quero perder o meu posto de desembaraçador mor.
Primeiro o tato tem que estar aguçado. A saber, as pontas dos dedos fazem o trabalho mais delicado e sensível e nas proximidades da palma, faz-se a força. Então quando você tiver nas mãos um emaranhado de coisas, comece a puxar no centro das mãos, com as pontas dos dedos pressionando contra as palmas, como se fosse espalhar os fios e sempre que sentir resistência, passe o trecho para a ponta dos dedos que trabalhará nos nós menores. Nunca puxe pelas pontas soltas, isso só apertará os nós, tornando-os praticamente insolúveis. Vá do todo para as partes, primeiro diminua a resistência. Quando trabalhar em um nó em específico, procure afrouxá-lo, como se tirasse a pressão. Faça isso em uma quantidade grande do emaranhado. Em seguida escolha uma ponta e faça-a retornar para o útero de seu nó primeiro. Como num ovo cósmico às avessas, faça cada ponta retornar. Isso aos poucos causará um efeito reverso e o que estava muito junto começa a se afastar. Retire parte a parte, deixe seu cérebro cuidar das duas mãos ao mesmo tempo, dos dez dedos ao mesmo tempo, dos braços ao mesmo tempo. Não raciocine mais, como num transe, afrouxe empurre e puxe, na sequência que seus dedos lhe mostrarem ser o movimento de mais leveza. Num momento crucial, os nós poderão se revoltar e tentar se agarrarem e tornarem a formar o emaranhado. Este é um sinal, você está perto do fim. Suas mãos, seus dedos, seus olhos começaram a dar sinais de cansaço, é o sinal de que o fim está próximo, o dos emaranhados ou da sua paciência. Confesso que umas poucas vezes na vida desisti de desfazer um grande emaranhado, mas foram em números insignificantes de vezes. Quando todos desistiam, eu continuava até ter os fios, todos livres, sem opressão, podendo então, os mesmos, nas mãos de um artesão hábil transformarem-se em uma obra de arte, livre e promissora.
Olhar pra trás e ver tudo que passou de forma imparcial e limpa, sem ressentimentos ou mágoas é pra poucos. (Estou escrevendo sobre imparcialidade e pela primeira vez escrevendo dois textos de forma simultânea). Quando você está no meio do calor de acontecimentos, seja quais forem, estou sendo genérico, a atenção aos detalhes que mais te marcam, pelos seus mapas e traumas, te toma o maior esforço. Você vê um emaranhado, como uma série de acontecimentos independentes e todos convergindo para sua desgraça. E quer saber? Em muitos casos, são só acontecimentos que existiriam com ou sem seu consentimento, muitas das coisas nos vem só porque viriam pra qualquer pessoa que estivesse lá. Nem sempre são nossos atos ou sentimentos que geram consequências. Só fica tudo suave e leve, quando você mescla a força com a sutileza, quando você pega um emaranhado de nós que não foi você que criou e desfaz um a um, suavizando, não puxando as pontas soltas de qualquer jeito. Você tem que fazer com que os dedos em conjunto com toda a sua mão, trabalhem, ou seja, seus sentimentos e razão, seu raciocínio e desejo, e num determinado momento, a sua intuição, fechando os olhos e sentindo a reação, sentindo onde está tenso ou onde afrouxou. Mais lições dão pra tirar de como desatar nós, mas como sempre, o melhor é descobrir sozinho, olhando pra dentro.
Considerei-me responsável e usei meus traumas e mapas de reações muito tempo e só depois de estar bem longe de tudo, que consegui ver que algumas coisas simplesmente não iriam mudar, mesmo que eu soubesse o que sei hoje, mas outras sim.
Imaginar que eu sabia desatar nós desde pequenininho e não sabia o que isto significava!
Pequenas coisas, grandes conquistas!
“Quero a sua mão no meu cabelo
Que é pra desembaraçar meu pensamento”