Estava
na praia, neste começo de ano (2012), debaixo de uma tenda, com uma parte da
família. Caipirinha na mão, muito sol. Escutei um barulho de motor berrando, no
momento em que me virei pra olhar o Fiat 147, a Cris já falou:
-quer
ver que vai atolar?
Não
deu outra, o rapaz quis manobrar no final da rua e entrou na praia, foi virar e
enterrar praticamente toda a roda dianteira na areia. Falei em tom de ironia:
–
Tiro ele de lá ou espero pra ele sentir a burrada que fez?
Deixei-o
lá, continuei a caipira e nuns minutos mais tarde a Cris pediu para eu buscar
um guaraná pro Murilo, visto que o atendimento em praia não é cinco estrelas.
Levantei-me
com uma dificuldade enorme e me dirigi à barraca, neste caminho observei os
dois rapazes que estavam com o motorista do possante, tentarem calçar as rodas
dianteiras com madeira e entulhos que achavam e ninguém, absolutamente ninguém
em uma praia lotada foi ajudá-los.
Pedi
para a moça que veio em minha direção quando entrei na barraca (ela iria
leva-lo em seguida para a barraca) e me virei em seguida para passar pelo carro,
no meu caminho de volta.
Encostei-me
ao capo, do lado do passageiro e distribui em voz de comando:
-Não
acelera e vamos procurar um lugar pra fazer força!
Os
dois ajudantes repetiram a ordem pro motorista e tentaram achar um lugar para
pegar no carro, nesta hora eu abracei a frente do carrinho, achando um lugar
onde não amassasse e dando um pequeno urro, arranquei o dito cujo do buraco,
fazendo uma força exatamente à 45 º do solo. Passei pro outro lado e segurando
na coluna do lado do motorista falei com muita calma:
-Acelera
bem de vagar que vou te colocar no caminho.
E
uns dois metros pra frente o carro encontrou solo firme e deixei-os, sem olhar
pra traz me fui em direção aos meus e ouvi um tríplice agradecimento sobre os
quais dei um aceno de mão sem me virar, como se só tivesse passado por ali, não
sendo nada usar todos os meus conhecimentos a respeito.
A
vida é assim, se formos nos aventurar em local desconhecido, ou estamos muito
bem acompanhados ou temos que torcer pela complacência divina, o que foi o caso
da pequena história.
Pensando
nisso, entrei em devaneios e muitas reflexões. Lembrei-me daquele livro que
virou filme, “Nosso Lar” do Chico que não é o Buarque. E voltei a ter
pensamentos elevados. Pra quem assistiu ou leu, entenderá melhor, para quem
não, vou ser mais claro possível. A doutrina espírita reza que temos uma
continuidade num plano superior, mas que está muito próximo fisicamente de
nosso planeta, de onde podemos planejar nossas voltas e as situações as quais
evoluiremos se passarmos como planejado. Na história, o personagem principal,
André Luiz, vive estas descobertas e num certo momento é visitado pela sua mãe
que está num plano mais elevado. Quando assiti ao filme, pela minha total falta
de conformidade, já comecei a imaginar como seriam os planos superiores ao
plano superior.
Sonhei
uma vez, que estava voando, olhei pra cima e pensei se posso voar vou falar com
Deus e fui. Comecei a subir, vertiginosamente, velozmente e cheguei.
O Homem era parecido com o doutor do “de volta
pro futuro”, e me recebeu rindo meio descrente e disse:
-Você
é atrevido não é rapaz, mas você vai ter seu prêmio, vai voltar e realizar uma
grande coisa!
Acabou
aí o sonho.
Acredito,
numa teoria que surgiu ou sempre esteve lá na minha cabeça ou nas nossas, que
se somos imagem e semelhança do Criador, nosso caminho vai para uma escalada
sem proporções, onde evoluiremos numa escala sem fim, até chegarmos a um ponto
onde teremos acumulado uma quantidade tão grande de saber que seremos chamados
para o lado do nosso criador e Ele dirá:
-Agora
você já aprendeu até a teoria da unificação dos amores, você já é “Nós” e
chegou a hora de criar seu próprio Universo
Nesse
momento, me imagino abrindo espaço no meu interior e começando um Mundo (Leia
Sutil), criando as regras físicas, todas as leis naturais, tudo de forma a não
ter mais que pensar nos detalhes, criando criaturas que criavam, tudo partindo
do meu corpo e o universo surgindo, com cada vez menos contato comigo, mas cada
vez mais parecido comigo. Sim, só com os infinitos e inteligentes ajudantes e
eu contemplando a tudo aquilo que dei origem, vendo tudo existir dentro do meu
Ser e quando a criação estivesse num estágio avançado eu contemplaria meus semelhantes
seres, todos os seres muito semelhantes entre si, semelhantes a força que os
permitiu e isto me completaria.
Vendo
o surgimento das eras, eu iria me lembrar do meu infinito caminho até aquele
momento e tudo me pareceria bom.
E
tudo me pareceria aprazível, mesmo vendo os erros, porque o erro já não seria
encarado como tal, mas sim como tentativas e aprendizados.
Iria
ver o surgimento de seres que me lembrariam de tantos outros que eu já
conhecera. De repente um Julio Verne, da Vinci, olha o Newton, Euler, que
maravilha isso saiu também de mim, Darwin, Isaac Newton, o Asimov, Artur
Clarck, Madre Tereza... quem é aquele?
Que
rapaz atrevido, quem ele me lembra? Querendo voar até mim? Como isso me deixa
feliz! Deixa-o tentar, mas é muito cedo, tem tanto ainda pra aprender pra estar
aqui de ombros comigo!
http://letras.terra.com.br/chico-buarque/45178/
Uma musica pro portuga!
Uma musica pro portuga!




