sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Céu




Do Latim coelum, formada do grego coilos, côncavo, porque o céu parece uma imensa concavidade.
Quando assisti ao filme amor além da vida, fiquei pensando além de muitas outras coisas, como seria o meu céu. O filme, pra quem infelizmente não viu, no começo, mostra o céu como sendo um apanhado de coisas marcantes e pessoais. Especificamente o céu do personagem principal (Robin Williams) era numa pintura óleo sobre tela que a esposa ,quando viva, estava pintando.

Vou escrever aqui, tudo o que eu gostaria de encontrar no meu céu, tudo não é bem a palavra, ah sim! Amostra do que eu gostaria de encontrar no meu céu.

No meu céu, meu Pai chegaria em casa com aquela japona marrom dele e traria no bolso pacotes de figurinhas da copa de 70 e eu e minha irmã abriríamos ansiosos pra colá-las no álbum e eu especificamente pra bater bafo com as repetidas. Ficaria décadas olhando a Lua com ele naquele dia. O cheiro vindo do forno seria da lasanha com muito creme de leite que minha mãe fazia. Os dias seriam sempre de sol, mas não o sol escaldante e sim um sol que sempre aparece depois de uma torrencial chuva de verão, daquelas quando eu ficava olhando pela janela e depois quando parava, eu ia pra calçada fazer o meu barquinho de papel sumir na enxurrada. Meu avô Antônio brincaria de serrador comigo todos os dias pela manhãzinha ao acordar e depois me contaria suas histórias de como ele era especial quando novo (Ele foi especial a vida toda!). Faria picnik com minhas tias Lu, Lau e Neusa, tomando leite condensado na lata, escondido da minha avó Emilia. Nas noites de São João sairia com meu primo Vanderlei, visitando todas as fogueiras da vizinhança, tomando um pouquinho de quentão e comendo muito pinhão. No ano novo comeríamos na casa do seu Pedro (e eu ficaria sem jeito quando a Elvira olhasse pra mim com aquela cara de menina madura de mais, me censurando por ser criança de mais), depois passaríamos na casa do Avô Estevão pra comemorar o aniversário dele, com a tia Lurdes o Tio Zé e a minha madrinha a Avó Elza. Conversaria com o Aurélio (portuga) na sala do piano da casa dele, sentados no confortável sofá e falaríamos sobre nossos planos de tomar o poder do País, começando por invadir o paiol do 12º GAC de Jundiaí e de lá o poder e do poder distribuiríamos a justiça e faríamos nosso País uma potência e exemplo para o mundo, tudo isso ouvindo Chico e no finzinho do papo um tal de Ira!. Lavaria o Alfa Romeo velho do meu Pai todos os sábados, junto com o Zé Augusto e faríamos a macarronada improvisada com o vinho de barrica. Na faculdade só assistiria aula de estatística, só pra matar as duas primeiras aulas jogando sinuca com o João e depois na volta do intervalo entrar na classe e ser recebido com aquele olhar de felicidade do professor, por sermos os únicos a entender e resolver aqueles problemas de números complexos (i). Jogaria Total Anihilation diariamente, por 6 horas seguidas com o André. Perder-me-ia no metrô de Paris com o Leandro. Teria um sócio chamado Marcos e passaria a eternidade sem nunca discutir assuntos sem importância e decidindo sem medo de errar. Projetaria máquinas de fazer vento, nunca antes tentadas e agiria como se fosse só brincadeira. Seria religioso como no batizado da minha Irmã Sam, cantando Anjo de Deus do Padre Marcelo, com a Carmelita do meu lado (fomos os padrinhos e me emocionaria tanto que viria os anjos mesmo). Amaria minha esposa Cris, com todas as paixões que tive na vida. Chegaria toda tarde em casa e brincaria com o Tiger aquele cachorro que foi só meu e nessa hora ouviria o Vlad meu amigo e irmão tocando e cantando ao vivo pra mim. Assistiria intermináveis seções repetidas do Wall-E com meu filho Murilo e Don Juan de Marco com minha esposa. O Mais perto do Rap e do Funk que passariam lá no meu céu seria o Eminen cantando com a Rihanna – Love the Way You Lie. Permitiria-me ficar sozinho sem me sentir culpado de gostar às vezes de ficar assim. Volitaria como em meus sonhos e iria puxar as barbas de Deus.

Poxa, vocês repararam em algo?

Um céu de coisas que tive na terra! (Quer dizer algo?)

Mas tem coisas que nunca fiz e queria no meu céu...

Jogar futebol com Estevão Pai (avô), Estevão Filho (Pai) e o Murilo (Filho) e todo o Laranja Mecânica... Campo dos Sonhos!

Quando Sócrates me disse - "conhece-te a ti mesmo", foi o Sócrates ou foi a Cidinha minha psicóloga? Não lembro, tanto faz!

Foi a pedra de toque da inteligência emocional: ter a consciência de nossos sentimentos no momento exato em que eles ocorrem.
O Côncavo é o formato de maior contingência de coisas que conheço, talvez seja por isso que o céu é esse grande côncavo que armazena nossas lembranças e desejos.


Eminem (feat. Rihanna) Love The Way You Lie