segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Lobo


Crepúsculo, Lua Nova, ai ai ai ai!

Assisti estes dois!

A minha querida sobrinha Ariane é uma aficionada por esta série e tudo que se relaciona com este mundo imaginário soturno, de sombras e frio, de vida eterna sem vida. Bem, coisas assim de vampiro moderno. (a palavra aficcionada não existe em português, olha isso!!)

Aí vamos assistir né? E uma lenga lenga este Crepúsculo, mocinha depressiva, que se chama Bella se apaixona por vampiro depressivo, que se chama Edward (parece o mãos de tesoura), alguns detalhes sobre transformação de humanos em vampiros, grupos de vampiros “vegetarianos”, vampiros do mau e tudo o que qualquer pessoa que passou medo com filme de vampiros da antiga, do velho Drácula Christopher Lee, dá risada.

Mas, contudo, porém, todavia, na seqüência, no filme Lua Nova, o bicho pega literalmente. Pra começar a idéia, é Lua Nova, porque é a fase mais escura da lua, justamente a fase sombria em que a moçinha se encontra após ter sido abandonada pelo Vampirinho.

Entra na jogada o até então coadjuvante, Jacob Black, de uma tribo indígena que tem no gene a “maldição” do lobisomem.

O Lobo tem como características, o calor da pele, o ímpeto e o desprendimento de correr solto, caçando, buscando o prazer na vida em matilha.

No filme o Lobo é o que toma conta, protege, se importa com tudo, mesmo sabendo da paixão da mocinha pelo vampiresco. Ele supre a carência, faz com que o tempo passe com mais prazer, faz a dor se afastar, mesmo sem deixar de existir, mas ocupa um espaço. Reações enérgicas e com vigor são características da espécie, ele a assusta.

Este conjunto de características não é o suficiente, a Bella nunca deixou de amar o Edward, aí na primeira oportunidade ela se coloca em perigo pra chamar a atenção dele, se coloca em risco de morte e quem é que salva a donzela?

O Lobo, isso mesmo, salva a donzela pra que ela mais pra frente seja do seu rival, mas não importa isto tudo, importa?

Não dá pra assistir esta trama sem se posicionar. Os dois protagonistas são completamente antagônicos, mas tudo que é completamente antagônico se toca em alguma fase de sua existência. Eles se tocam sim, a mocinha donzela indefesa (rs) é o elo e existe uma honestidade nos princípios, tanto o gelado quanto o quente querem o bem. Os dois se afastaram pra preservá-la, os dois morreriam por ela, se pudessem morrer é claro.

Posicionei-me então. Fui o Vampiro muito tempo, gelado, sugando a energia que eu na verdade dava, mas descobri que sou o Lobo. O meio termo é quase impossível de alcançar.
Meu exagero, a temperatura que sempre sobe, até a minha estupidez em alguns momentos. Quero saltar dos penhascos pra mergulhar no mar, quero encontrar minha matilha pra proteger, quero salvar a mocinha no final.

Mesmo sabendo que a pálida mocinha ficará com o impenetrável vampiro, sei que quero ser lobo, quero sentir, não quero a vida eterna sem vida, quero sofrer dos males do coração, vou pagar pra ver.

Quem sabe a alusão ao casal gelado se refira a um casamento sem desafios e diversão? Tenho certeza, quero ser Lobo!
A Vantagem é que vou comer guisado de cabeça de vampiro no jantar! Sobra na reta! rs
http://letras.terra.com.br/ze-ramalho/49370/


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sensitive (do latim: sensorial)


Sou um pouco confuso, concordo, mas tem um motivo pra isto, vivo escravizado pelos meus sentidos.
Cheiros, gostos, cores, temperaturas, sentimentos...

Lá de pequenininho, o sol, e suas sombras me fascinavam, um dia de chuva, um rosto sorridente, tudo era motivação pra aguçar minha imaginação.

A comida era um problema. Não tinha apetite, a anemia era constante. Vivia a base de vitaminas e fortificantes. Lembra minha irmã, o óleo de fígado de bacalhau? Pois é, mas eu não sabia onde eu iria chegar!

Com a fase adulta, o encontro com outros mundos começou a me despertar o interesse por comidas e bebidas de todos os tipos acessíveis pra mim.
Com o passar do tempo e com as experiências se sucedendo, percebi o quanto eu tinha a capacidade de sentir.

Certa vez na casa de meu pai, por conta desta minha “frescura” de dizer que uma comida estava passada, ele cozinhou carne moída em duas panelas, colocou na mesa e disse: - Uma está congelada faz um mês e a outra está há tempos congelada, temperei do mesmo jeito, me fala qual é qual se você é bom mesmo!

Fui todo confiante, como sempre que me propõem desafios e experimentei aleatoriamente a primeira...

Acabei de prová-la falei assim: Essa está a quase um ano na geladeira.
Ele levantou-se, pegou a panela e jogou imediatamente aquela carne no lixo, pronunciando palavrões como era de costume e me disse assim, 11 meses na geladeira!!!

Outra vez fiz um teste cego com whisky que nem é meu forte, um Black e um Red, a Cris que colocou nos copos e eu nunca havia tomado o Black. Mesma coisa, quando provei o primeiro já saí dizendo, este é o Black porque nunca senti este sabor na minha vida.

E assim é com cheiros, sei se a comida está sem sal, se está salgada e mesmo se está com muito açúcar, isto tudo pelo cheiro.

Talvez por isso que quando eu assisto Ratatouille, eu me emociono. Sabem qual é o filme? Aquele do ratinho Remy, que mora em Paris e é um grande cozinheiro.

Em uma passagem do filme, ele tenta explicar pro irmão, um ratão gordo que come lixo, o segredo dos sabores e das misturas, nesta cena usam-se uma explosão de cores enquanto ele explica pro irmão as nuances (nuance pode sim ser usada para coisas que não cores, informem-se se tiverem dúvidas) dos sabores agridoce, amargo, nozes e etc.

Sabe o que me emociona? É que eu sou sinestésico, ou seja, no meu cérebro tenho uma confusão que me faz sentir por exemplo o gosto, cheiro ou até o som de uma cor. Como isto é uma perturbação pra muitos, pra mim é uma enorme fonte de prazer e o filme do ratinho tendo uma capacidade fora do comum de prever as misturas de sabor me fizeram ver que isto existe com outras pessoas. Senti-me então, completamente normal no meio dos excepcionais..rsrs..

Aí sim!, Por isso, quando no primário, eu misturava as quatro bolachas doces, com o ovo cozido, com o arroz doce tudo no mesmo prato, e meus  amiguinhos fugiam da mesa da merenda, estava só me preparando para o gran finale, de me tornar um grande chef da culinária mundial...kkkkkk.
Pra ficar sério o assunto, esta capacidade de sentir vai além dos cinco sentidos, vai ao ponto de observar dentro de uma alma e sentir o que alguém sente por dentro, isso dá medo, não exploro muito isso, preciso conhecer muito mais a minha alma, senão a distorção pode me levar a sérios problemas... ou será que já levou?

Comam e bebam, sintam os prazeres que as coisas boas nós trazem e de preferência em boa companhia, a companhia consegue fazer um simples macarrão improvisado num sábado a tarde lavando um carro, ser o melhor manjar provado em toda sua vida!
Quando estivermos satisfeitos, lembremos que tem gente que não está, aí começa outra luta!

Essa é de mais, vale a pena ouvir!!!!


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Copo Dágua!

Tava há tempos sem escrever... será que acabou a inspiração? Acho que um tempo sempre é bom, pras coisas virem naturalmente.
Tive um sonho muito ruim, aí meus dias estavam vazios e tristes. Sempre depois de cumprir uma etapa em que a tensão dominou os preparativos, mas os resultados foram mais que satisfatórios sempre fica um vazio, mas este estava diferente.
Foi mais ou menos assim: Eu e meu cunhado Paulinho levamos os restos mortais do meu Pai pro quarto do fundo, parecia a casa em que morávamos em 1979, quando mudamos pra Jundiaí.
Depois de deixarmos no chão, levei meu filho que estava dormindo para este mesmo quarto e o coloquei também no chão, como se tivesse um colchonete bem fofinho do lado esquerdo de onde meu Pai estava. Quando coloquei meu filho dormindo lá, imediatamente me veio um sentimento de não deixá-lo, quando acordasse se sentiria mal, eu me sentiria mal, peguei-o no colo e quando ia saindo, meu Pai abiu os olhos, me voltei e perguntei:- Precisa de alguma coisa pai?
Ele me respondeu:- Deixa um copo d’água, as vezes é bom.

Este foi o sonho, sentindo-me abandonar alguém que amo!

A Cidinha minha psicóloga me elucidou o sonho. Foi a “Elaboração do luto”.
Uma fase nas minhas descobertas psicológicas... Eu decidi pelo novo, decidi continuar a viver, poxa, demorou...

O copo d’água, vida, renovação, todo dia trocar a água? Será?
Li um pouco. Copo com água, é o feminino, receber um copo com água limpa, é uma surpresa agradável.

Aí vinha voltando alegre e faceiro, da analise e num semáforo, eu ouvindo a Lady Gaga bem altão, me para do lado um gol todo podrão, aqueles “massa”, multicolorido de tanta massa, dentro um rapazinho, escurinho, de boné virado pra traz, batucando no volante. Imaginei na hora um pancadão ouvido no último!

No semáforo de trás eu que tava batucando no volante, elaborando meu luto.
Como a alegria dele era clara, resolvi ouvir o que o alegrava tanto.
Putz, o som do cara tava baixinho, era o samba enredo de alguma escola de samba que eu nunca ouvi.

Curti. Ouvi junto com ele naqueles breves segundos. Fiquei feliz pela felicidade dele e grato por receber aquela energia. Simples e efetiva. Eu sou assim, simples e fico feliz assim, por coisas simples. Gosto muito de mim por isso, acho que sou importante, pelo menos pra esta pessoa tão importante pra mim que eu sou (me superei, uma coisa quase impossível se não fosse feita por mim mesmo..rs).

Coincidências não existem mesmo. Fui pesquisar sobre “Elaboração do Luto” e encontrei uma página muito esclarecedora que termina com uma poesia, e olha só, queria faz tempo falar sobre o Teatro Mágico e era da letra deles que conheço, uma que o Leandro me mandou depois de ler algo em meu Blog. Fechou um circuito então.

Vai o texto abaixo tudo que é importante. Sejam todos felizes, e sempre que tiverem que Elaborar o Luto sobre uma perda, seja ela qual for, elaborem, faz bem!

“Elaborar o luto”. Quando um relacionamento marcante, uma fase importante da vida ou até mesmo uma expectativa se extingue e chega ao fim, todos nós, seres humanos, precisamos elaborar o luto. Porque, para nós, mesmo que saibamos que o final está próximo, ainda que sintamos a relação andar na corda bamba, ou apesar de fazermos aquele intercâmbio sabendo que em um ano estaremos de volta, nossos sentimentos – e saudade – precisam passar por todas as fases necessárias de aceitação para realmente darmos “Adeus”.

Agora, peço-lhe uma coisa, caro leitor ou leitora: ELABORE SEU LUTO. Sim, passe por todas essas fases - choque, negação, raiva, depressão – chegue à aceitação, e enterre bonito o que está no seu passado.


“E o fim é belo, incerto
Depende de como você vê
O novo, o credo
A fé que você deposita em você e só…
Só enquanto eu respirar vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar…””
http://letras.terra.com.br/o-teatro-magico/361396/

http://viniciusparaiba.com.br/index.php/tag/elaborar-o-luto/ (referencia para o texto)