Sou um pouco confuso, concordo, mas tem um motivo pra isto, vivo
escravizado pelos meus sentidos.
Cheiros, gostos, cores, temperaturas, sentimentos...
Lá de pequenininho, o sol, e suas sombras me fascinavam, um dia de
chuva, um rosto sorridente, tudo era motivação pra aguçar minha imaginação.
A comida era um problema. Não tinha apetite, a anemia era constante. Vivia
a base de vitaminas e fortificantes. Lembra minha irmã, o óleo de fígado de
bacalhau? Pois é, mas eu não sabia onde eu iria chegar!
Com a fase adulta, o encontro com outros mundos começou a me despertar
o interesse por comidas e bebidas de todos os tipos acessíveis pra mim.
Com o passar do tempo e com as experiências se sucedendo, percebi o
quanto eu tinha a capacidade de sentir.
Certa vez na casa de meu pai, por conta desta minha “frescura” de dizer
que uma comida estava passada, ele cozinhou carne moída em duas panelas,
colocou na mesa e disse: - Uma está congelada faz um mês e a outra está há
tempos congelada, temperei do mesmo jeito, me fala qual é qual se você é bom
mesmo!
Fui todo confiante, como sempre que me propõem desafios e experimentei
aleatoriamente a primeira...
Acabei de prová-la falei assim: Essa está a quase um ano na geladeira.
Ele levantou-se, pegou a panela e jogou imediatamente aquela carne no
lixo, pronunciando palavrões como era de costume e me disse assim, 11 meses na
geladeira!!!
Outra vez fiz um teste cego com whisky que nem é meu forte, um Black e
um Red, a Cris que colocou nos copos e eu nunca havia tomado o Black. Mesma
coisa, quando provei o primeiro já saí dizendo, este é o Black porque nunca senti
este sabor na minha vida.
E assim é com cheiros, sei se a comida está sem sal, se está salgada e
mesmo se está com muito açúcar, isto tudo pelo cheiro.
Talvez por isso que quando eu assisto Ratatouille, eu me emociono. Sabem
qual é o filme? Aquele do ratinho Remy, que mora em Paris e é um grande
cozinheiro.
Em uma passagem do filme, ele tenta explicar pro irmão, um ratão gordo
que come lixo, o segredo dos sabores e das misturas, nesta cena usam-se uma
explosão de cores enquanto ele explica pro irmão as nuances (nuance pode sim
ser usada para coisas que não cores, informem-se se tiverem dúvidas) dos
sabores agridoce, amargo, nozes e etc.
Sabe o que me emociona? É que eu sou sinestésico, ou seja, no meu
cérebro tenho uma confusão que me faz sentir por exemplo o gosto, cheiro ou até
o som de uma cor. Como isto é uma perturbação pra muitos, pra mim é uma enorme
fonte de prazer e o filme do ratinho tendo uma capacidade fora do comum de
prever as misturas de sabor me fizeram ver que isto existe com outras pessoas.
Senti-me então, completamente normal no meio dos excepcionais..rsrs..
Aí sim!, Por isso, quando no primário, eu misturava as quatro bolachas
doces, com o ovo cozido, com o arroz doce tudo no mesmo prato, e meus amiguinhos fugiam da mesa da merenda, estava
só me preparando para o gran finale,
de me tornar um grande chef da culinária mundial...kkkkkk.
Pra ficar sério o assunto, esta capacidade de sentir vai além dos cinco
sentidos, vai ao ponto de observar dentro de uma alma e sentir o que alguém sente
por dentro, isso dá medo, não exploro muito isso, preciso conhecer muito mais a
minha alma, senão a distorção pode me levar a sérios problemas... ou será que
já levou?
Comam e bebam, sintam os prazeres que as coisas boas nós trazem e de
preferência em boa companhia, a companhia consegue fazer um simples macarrão
improvisado num sábado a tarde lavando um carro, ser o melhor manjar provado em
toda sua vida!
Quando estivermos satisfeitos, lembremos que tem gente que não está, aí
começa outra luta!

É sempre um prazer testemunhar o prazer que algumas comidas e bebidas te provocam. Ao fechar os olhos para saborear um vinho, imagino que explosão de cores e sabores te passam pelo corpo. Às vezes é uma pena não poder compartilhar os mesmos sentidos, pois não os possuo como você.
ResponderExcluirO prazer em compartilhar já me faz feliz.
Amo vc...