quarta-feira, 20 de julho de 2011

Linei – Primeira Namorada


Penso assim, tenho que equilibrar meu olhar entre dentro e fora de mim, mesmo que seja difícil estando dentro, me afastar. Isto ocorre normalmente naqueles sonhos, que chamo de viagem astral. Neles eu sinto um mundo físico com regras diferentes é claro, mas não que nem nos só sonhos, em que existem emaranhados de lembranças e eu nunca voo. Esta noite eu estive fora de mim, vamos escrever então!

A minha esposa com certeza entenderá que esta história não deve suscitar o triste sentimento do ciúme, pois o sentimento envolvido é o mais puro que pode haver!

Devia ter 3 para 4 anos, na casa logo abaixo da casa dos meus avós maternos, onde morei até os 4, na Rua Bertanholi, lá sempre estiveram pessoas marcantes. Olhe, lá estava meu primeiro amigo, o Gustabili, que por incrível que pareça não era italiano e sim japonês, e logo depois se mudou pra lá a família da Linei, que por sua vez de Japonesa não tinha nada, era uma loirinha, branquinha, exatamente da minha idade e altura.

Lógico que minhas tias, brincando de boneca comigo, o primeiro sobrinho, logo começaram com aquela historia de namoradinha!

Lembro até de fazerem a gente dar um beijinho, vou forçar a barra e dizer que foi um selinho! Rs.
Logo me mudei pra Rua Barlavento 33 e a Linei foi pra Rodolfo Fernandes, que era uma continuação da Barlavento, atravessando a Oratório (Parque São Lucas – SP) e nos vimos pouquíssimas vezes. A lembrança que trago destas vezes é incrivelmente agradável. Íamos, eu, minha mãe e minha irmã, visitá-los. A mãe dela era a figura da mãe perfeita da época, magra, sempre sorridente, sempre preparando o café pras visitas, a típica esposa do lar, que não existe mais, graças a Deus.

A Linei por sua vez era perfeita pros meus olhos e diferente de todas as meninas que conheci e convivi depois dela, nunca me constrangia com seu olhar, do contrário, parecia que ela estava olhando pra alma gêmea dela, para o cara que seria seu marido, pai dos seus filhos e avô dos seus netos e que teriam a vida perfeita.

 Não me lembro de nada dela que não fosse aquele sorriso e olhos brilhantes. Uma das últimas lembranças foi num dia em que nos visitaram em casa e brincamos de esconde-esconde, isto deve ter sido quando tínhamos de 9 pra 10 anos então 1974 ou 75, lembro que ela começava a dar os sinais que passara de menina pra mulher, já havia um volume pequenininho, mas os seios começavam a se formar. Acho que foi nosso primeiro e último contato físico, eu segurei ela pelos dois braços e olhei nos olhos, num momento entre corrermos para o piques e nos escondermos, e foi só.

Então, se você é um filho ou neto da Linei que estava navegando pela net, tentando descobrir o que significa o nome da sua doce ascendente, eu tenho uma versão:

Linei: subst. feminino: signif. fig. Lindo dia de Sol

Quando eu assistia na TV, o patinho Saturnino, que lutava sempre contra a perigosa Doninha, ele atravessava um pequeno lago, com uma ilhotinha no meio e aquela estradinha de terra, num dia de sol, sempre foi o lugar pra onde eu ia quando estava feliz, um lugar onde o tempo nunca passou. Sinto os raios de sol nas minhas costas e um eterno sorriso me olhando!
Poucos dias são eternos, assim como foi quando eu e a Valéria, minha irmã, brincávamos de bater prego na lama, com a marreta de bronze do meu Pai e eu perdi o prego na lama e não consegui mais achá-lo, foi meu primeiro dejavu. Aquilo já tinha acontecido comigo e a considerar-se pela minha idade na época, só poderia ter sido em outra vida! Ficou eterno este dia!
Meu sonho esta noite?

Bem, foi na verdade de manhã e ocorreu entre o tocar do celular, 6:45, até eu acordar as 7:08. Algumas coisas estranhas, pessoas que eu não conheço, num lugar e tempo que não eram meus, mas sei exatamente onde isso ocorreu, num lugar entre aquela casa que atravessávamos para ir ao campo de futebol do Guaracá e o quintal da casa daquele meu tio, por parte de Pai do meu Pai que tinha um grande quintal murado (lugares que na verdade não se tocavam fisicamente, nem de longe). Num determinado momento do sonho, eu adulto como sou, percorri um muro, tocando só com as mãos, flutuando, como um ginasta no cavalo com alças, percorri aquele perímetro, ouvindo e cantando uma música e sentindo que era um dia de sol!

Alma!
Deixa eu ver sua alma
A epiderme da alma
Superfície!
Alma!
Deixa eu tocar sua alma
Com a superfície da palma
Da minha mão
Superfície!...

Lisa, que me alisa
Seu suor, o sal que sai do sol
Da superfície!
Simples, devagar, simples
Bem de leve
A alma já pousou
Na superfície!...

Alma!
Daqui do lado de fora
Nenhuma forma de trauma
Sobrevive!
Abra a sua válvula agora
A sua cápsula alma
Flutua na
Superfície!...

http://letras.terra.com.br/zelia-duncan/43887/



quarta-feira, 13 de julho de 2011

Inexpugnável



Como adjetivo é aquilo que não se pode vencer, conquistar pela força das armas: fortaleza inexpugnável.
No sentido figurado é o que não se pode vencer com razões, promessas ou ameaças: a virtude é inexpugnável.
Bonito dizer que uma virtude é inexpugnável temos sempre a atenção chamada pela corrupção e demais desmandos, pode até parecer que a maioria é assim, que as pessoas são em sua maioria más, mas, como diz a linda mensagem do comercial da coca-cola (os anti-imperialistas estão virando no túmulo), os bons são a maioria.
Santo Antonio dizia que em sua solidão, às vezes, encontrou anjos que pareciam demônios e outras vezes, demônios que pareciam anjos e perguntado sobre como distingui-los ele disse que só se pode saber quem é quem quando esses vão embora. Se você ficar arrasado é porque era um demônio e se a sensação for de leveza era um anjo. Então digam se sou anjo ou demônio depois que a sensação tomar conta de vocês depois de lerem!
Trarei mais recordações que misturadas num caldeirão de bruxa, com asas de morcego, pernas de salamandras e outros que tais e espero deixar o mundo melhor do que estava com elas. Pouca coisa eu espero, não é?
Vamos falar daqueles amiguinhos imaginários que nossos filhos carregam até certa idade.
Pesquisa não faz mal a ninguém, então vai um parêntese, na verdade um resumo misturado com o que entendi:
É perfeitamente comum uma criança, filho único ou não, criar seus amigos imaginários, tanto os invisíveis, como personificados em objetos e isto pode começar a ocorrer a partir dos dois anos e é perfeitamente comum esta fase se estender até os seis anos. Este artifício serve para varias coisas na criança em sua primeira infância, desde compensatória para fugir de uma situação que a incomoda, até servir como treinamento para terem realmente um amigo. Em minha opinião, as crianças nesta idade, por estarem ainda entendendo o mundo e tendo sua visão particular das coisas, ficam sós naquele mundo de descobertas fascinantes e não têm como compartilhar. Isto é um rompante de criatividade e imaginação.
Voltando a vaca fria, na minha primeira infância e desde que me lembro de ser gente (começa lá pelos seis meses de idade), com a lembrança de estar no berço, que ficava num puxadinho ao lado da cozinha da minha avó, lateral a escada (que caí, um pouco depois quando gatinhava) que levava ao sobrado nos fundos, onde ficava a pequena malharia do meu avô.
Nesta lembrança meu avô Antônio, brincava comigo, com uma felicidade incalculável e infelizmente impossível de expressar, o que me fazia sentir a pessoa mais importante do mundo naquele momento, quando sem aviso ou alarde, minha fralda se encheu, aquela massa quente e fétida pesou no meu bumbum e eu ouvi alguém que não consigo me lembrar, dizer: fez coco de novo? Meu mundo caiu e a felicidade foi embora, acho que sentei no berço me sentindo a mais incomoda e inconveniente criatura.
Não é por menos que sou assim, ter essa como a primeira lembrança, deixa qualquer criança traumatizada (rsrs).
Mas já passou e a Análise me fez superar isso, já faz uns bons três meses.
Meus amigos imaginários não eram amigos, eram mundos inteiros, personagens reais com atitudes imaginárias, gente que eu via e não convivia, todos classificados como estando do lado do bem e do lado do mal.
Exemplos? Tá!

Os prendedores de roupa, numa época eram de plásticos e todos se transformaram em carros de corrida, que alinhados um atrás do outro disputavam uma corrida nas encostas de uma cordilheira. O azul era o mocinho, talvez o Speed Racer, o vermelho sempre era de uma personagem feminina, o preto o bandido corredor inescrupuloso.
Os cachorros do bairro se alinhavam em dois esquadrões e jogavam bola como nunca! O Bandit que era o cachorro do vizinho, o seu Santana, era o mau personificado e jogava no time dos cães ruins, ele estava do lado daquele cachorro que me atacou (era do Pedrinho acho), um dia que eu corria na rua da casa da minha avó. Do lado dos bons estava o cachorro do meu avô, que bom, lembrei enquanto escrevia, chamava Bingo e o Snuf (homenagem póstuma tenho que escrever o nome completo: Zacari Snuf, o cão da vida do meu Pai), tinha também o Brasinha do meu tio Jorge. Saiam sempre muitos gols, os goleiros também eram cachorros e faziam cada defesa!
Tinham os momentos dos super-heróis com superpoderes, eu era o SpisseReserves, com uma roupa de blusa de couro, como a do patrulheiro Carlos e botas com capacete branco. Engraçado, o nome veio do whisky que meu Pai tomava, o Drurys, que trazia no rotulo “special reserves”  engraçado mesmo, porque eu nem fazia ideia do que era e nem tinha lido, só lembrava que meu Pai pedia no bar do seu Pedro e falava todo pomposo, spissereserves!
Poderia ficar dias escrevendo sobre como eram minhas aventuras espaciais, a minha fábrica de carros que tinha uma placa escrita LCI. Da Cereji, um refrigerante que eu considerava minha champagne e acho q só eu bebi!
Vou concluir com a minha coleção de tampinhas, eu tinha umas 100, pra ser preciso cheguei a 113. Por onde eu fosse, procurava tampinhas pelo chão, até aí tudo normal não é, tem gente que coleciona até selos!
Mas o impressionante é que estas tampinhas constituíam uma liga de futebol e cada uma delas em uma posição, com características de chutes, principalmente os de virada, era incrível, eu organizava os torneios e marcava tudo em papel, as estatísticas, os artilheiros e os goleiros menos vazados, eu conduzia os times como num jogo de botão e às vezes o meu time favorito perdia. Organizava seleção no fim de cada campeonato, uma literal “Loucura”. Era completamente solitário, eu me trancava em mim e vivia este mundo, não falava pra ninguém isso, tinha medo que me achassem louco, imagina não é? Durou pouco esta fase, talvez dos dois até os dezesseis (rsrs).
Quando me casei quis rever minha coleção de tampinhas que jazia num saco num fundo de uma gaveta, mas elas pobrezinhas, estavam completamente enferrujadas e pretas. Morreram carbonizadas em algum acidente de avião talvez!
As fantasias nunca me deixaram, o que faço é que hoje elas ficam somente me fazendo ser criativo. Ufa, que bom!
Os jogos eletrônicos me recordam esta fase. No computador, quem não acha mesmo que os personagens existam de verdade? Um deles, que tive contato por acaso, foi o Total Anihilation (aniquilação total), que jogávamos eu e o André, nos primórdios da LCI. Meu Pai ganhou uma cópia deste jogo de mim e depois de relutar em jogar esta porcaria, se apaixonou e passou anos jogando.
 Muitas vezes eu chegava à casa dele e ele estava montando, como ele dizia, sua defesa inexpugnável!
Hoje seria o aniversário de meu Pai, parabéns!
Faço um desejo em seu lugar então:
“Que tenhamos uma Defesa Inexpugnável em nossas Virtudes, contra a força do vírus da corrupção moral e da facilidade de não se pensar”.

Gil de novo pra vocês:
Tu, pessoa nefasta
Faz o espírito obeso
Correr, perder peso, curar, ficar são

Solta com a alma no espaço
Vagarás, vagarás, te tornarás bagaço
Pedaço de tábua no mar
Dia Após dia boiando
Acabarás perdendo a ansiedade, a saudade
A vontade de ser e de estar Livre

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Dois Rios – Uma música, uma lição hermética

Um Amigo me pediu pra explicar essa música que de confusa tem tudo, mas que de bela e mensageira tem tudo, também! Vale a pena ler, acho que me superei. De onde vem tudo isso eu não sei, só sei que vem!

O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima".

Como diria Hermes Trismegisto

 Vou mais longe, como diria Abelardo Barbosa (Chacrinha),

“eu não vim aqui para explicar, eu vim para confundir”.

Dois Rios

Skank

Composição: (Samuel Rosa - Lô Borges - Nando Reis)
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

Uma alusão física, o Céu e o Chão se tocam no Horizonte, talvez até o Belo Horizonte de onde o Samuel vem.

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

O principio esperando o fim para os dois juntos poderem recomeçar.
Tudo o que é diametralmente oposto se toca, porque tudo são círculos e quanto mais você se afasta do monstro assustador, quanto mais você se esconde  em becos e ruas escuras, mais perto fica do seu medo, porque tudo é como tem que ser e você tem que passar pelo que tem que passar.

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Ele ouve a vida, unindo o bem e o mal, o certo e o incerto, o belo e o feio, a felicidade e a tristeza, assim como se sofre pelo que se acha amor e depois se acha amor àquilo que se fez sofrer!

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

Lindo isso, lábios se beijando num frenesi que só os loucos sabem...
Isso é um amasso sem tamanho com paixão sem medidas, sem consequências, mas que traz todas as consequências.

O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão

A mão, o Pai e a Mãe, o que está em cima com o que está em baixo, o céu e o inferno, a vida e a morte, os opostos, os ambíguos fazendo a vida, fazendo entender que não se pode sempre estar do lado que vai vencer, do lado dos justos, porque não existe lado dos justos, no máximo existe como numa bola, dois lados, o de dentro e o de fora, ou você participa ou não da sua vida!

O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão

Nada termina, tudo é um eterno recomeçar, sempre e sempre e sempre e sempre!

Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer

A gente é que faz a vida com nossa voz, assim como o criador fez o mundo  “no princípio era o verbo”.
Nosso poder de criar a vida com nossas palavras, imitando o criador, como criadores do mundo que somos. Poeiras cósmicas, mas dos mesmos átomos que existiam todo sempre. Início e fim, alfa e ômega!

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Mais fantástica de todas as frases:
Estar ao lado só, não é o mais importante, o importante é ceder o lugar, estar ausente e amar é estar dentro do amor e não o amor dentro da gente, talvez o amor seja mais que um sentimento egoísta e mesquinho de posse, talvez seja aquilo que o criador sentiu ao nos fazer, talvez ainda sintamos na plenitude sem precisar esconder pra revelar, porque hoje, quando revelamos não o sentimos mais, porque só sentimos a sombra, da grande fera!