Penso assim, tenho que equilibrar meu olhar entre dentro e fora de mim, mesmo que seja difícil estando dentro, me afastar. Isto ocorre normalmente naqueles sonhos, que chamo de viagem astral. Neles eu sinto um mundo físico com regras diferentes é claro, mas não que nem nos só sonhos, em que existem emaranhados de lembranças e eu nunca voo. Esta noite eu estive fora de mim, vamos escrever então!
A minha esposa com certeza entenderá que esta história não deve suscitar o triste sentimento do ciúme, pois o sentimento envolvido é o mais puro que pode haver!
Devia ter 3 para 4 anos, na casa logo abaixo da casa dos meus avós maternos, onde morei até os 4, na Rua Bertanholi, lá sempre estiveram pessoas marcantes. Olhe, lá estava meu primeiro amigo, o Gustabili, que por incrível que pareça não era italiano e sim japonês, e logo depois se mudou pra lá a família da Linei, que por sua vez de Japonesa não tinha nada, era uma loirinha, branquinha, exatamente da minha idade e altura.
Lógico que minhas tias, brincando de boneca comigo, o primeiro sobrinho, logo começaram com aquela historia de namoradinha!
Lembro até de fazerem a gente dar um beijinho, vou forçar a barra e dizer que foi um selinho! Rs.
Logo me mudei pra Rua Barlavento 33 e a Linei foi pra Rodolfo Fernandes, que era uma continuação da Barlavento, atravessando a Oratório (Parque São Lucas – SP) e nos vimos pouquíssimas vezes. A lembrança que trago destas vezes é incrivelmente agradável. Íamos, eu, minha mãe e minha irmã, visitá-los. A mãe dela era a figura da mãe perfeita da época, magra, sempre sorridente, sempre preparando o café pras visitas, a típica esposa do lar, que não existe mais, graças a Deus.
A Linei por sua vez era perfeita pros meus olhos e diferente de todas as meninas que conheci e convivi depois dela, nunca me constrangia com seu olhar, do contrário, parecia que ela estava olhando pra alma gêmea dela, para o cara que seria seu marido, pai dos seus filhos e avô dos seus netos e que teriam a vida perfeita.
Não me lembro de nada dela que não fosse aquele sorriso e olhos brilhantes. Uma das últimas lembranças foi num dia em que nos visitaram em casa e brincamos de esconde-esconde, isto deve ter sido quando tínhamos de 9 pra 10 anos então 1974 ou 75, lembro que ela começava a dar os sinais que passara de menina pra mulher, já havia um volume pequenininho, mas os seios começavam a se formar. Acho que foi nosso primeiro e último contato físico, eu segurei ela pelos dois braços e olhei nos olhos, num momento entre corrermos para o piques e nos escondermos, e foi só.
Então, se você é um filho ou neto da Linei que estava navegando pela net, tentando descobrir o que significa o nome da sua doce ascendente, eu tenho uma versão:
Linei: subst. feminino: signif. fig. Lindo dia de Sol
Quando eu assistia na TV, o patinho Saturnino, que lutava sempre contra a perigosa Doninha, ele atravessava um pequeno lago, com uma ilhotinha no meio e aquela estradinha de terra, num dia de sol, sempre foi o lugar pra onde eu ia quando estava feliz, um lugar onde o tempo nunca passou. Sinto os raios de sol nas minhas costas e um eterno sorriso me olhando!
Poucos dias são eternos, assim como foi quando eu e a Valéria, minha irmã, brincávamos de bater prego na lama, com a marreta de bronze do meu Pai e eu perdi o prego na lama e não consegui mais achá-lo, foi meu primeiro dejavu. Aquilo já tinha acontecido comigo e a considerar-se pela minha idade na época, só poderia ter sido em outra vida! Ficou eterno este dia!
Meu sonho esta noite?
Bem, foi na verdade de manhã e ocorreu entre o tocar do celular, 6:45, até eu acordar as 7:08. Algumas coisas estranhas, pessoas que eu não conheço, num lugar e tempo que não eram meus, mas sei exatamente onde isso ocorreu, num lugar entre aquela casa que atravessávamos para ir ao campo de futebol do Guaracá e o quintal da casa daquele meu tio, por parte de Pai do meu Pai que tinha um grande quintal murado (lugares que na verdade não se tocavam fisicamente, nem de longe). Num determinado momento do sonho, eu adulto como sou, percorri um muro, tocando só com as mãos, flutuando, como um ginasta no cavalo com alças, percorri aquele perímetro, ouvindo e cantando uma música e sentindo que era um dia de sol!
Alma!
Deixa eu ver sua alma
A epiderme da alma
Superfície!
Alma!
Deixa eu tocar sua alma
Com a superfície da palma
Da minha mão
Superfície!...
Lisa, que me alisa
Seu suor, o sal que sai do sol
Da superfície!
Simples, devagar, simples
Bem de leve
A alma já pousou
Na superfície!...
Alma!
Daqui do lado de fora
Nenhuma forma de trauma
Sobrevive!
Abra a sua válvula agora
A sua cápsula alma
Flutua na
Superfície!...
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