sexta-feira, 1 de julho de 2011

Dois Rios – Uma música, uma lição hermética

Um Amigo me pediu pra explicar essa música que de confusa tem tudo, mas que de bela e mensageira tem tudo, também! Vale a pena ler, acho que me superei. De onde vem tudo isso eu não sei, só sei que vem!

O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima".

Como diria Hermes Trismegisto

 Vou mais longe, como diria Abelardo Barbosa (Chacrinha),

“eu não vim aqui para explicar, eu vim para confundir”.

Dois Rios

Skank

Composição: (Samuel Rosa - Lô Borges - Nando Reis)
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

Uma alusão física, o Céu e o Chão se tocam no Horizonte, talvez até o Belo Horizonte de onde o Samuel vem.

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

O principio esperando o fim para os dois juntos poderem recomeçar.
Tudo o que é diametralmente oposto se toca, porque tudo são círculos e quanto mais você se afasta do monstro assustador, quanto mais você se esconde  em becos e ruas escuras, mais perto fica do seu medo, porque tudo é como tem que ser e você tem que passar pelo que tem que passar.

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Ele ouve a vida, unindo o bem e o mal, o certo e o incerto, o belo e o feio, a felicidade e a tristeza, assim como se sofre pelo que se acha amor e depois se acha amor àquilo que se fez sofrer!

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

Lindo isso, lábios se beijando num frenesi que só os loucos sabem...
Isso é um amasso sem tamanho com paixão sem medidas, sem consequências, mas que traz todas as consequências.

O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão

A mão, o Pai e a Mãe, o que está em cima com o que está em baixo, o céu e o inferno, a vida e a morte, os opostos, os ambíguos fazendo a vida, fazendo entender que não se pode sempre estar do lado que vai vencer, do lado dos justos, porque não existe lado dos justos, no máximo existe como numa bola, dois lados, o de dentro e o de fora, ou você participa ou não da sua vida!

O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão

Nada termina, tudo é um eterno recomeçar, sempre e sempre e sempre e sempre!

Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer

A gente é que faz a vida com nossa voz, assim como o criador fez o mundo  “no princípio era o verbo”.
Nosso poder de criar a vida com nossas palavras, imitando o criador, como criadores do mundo que somos. Poeiras cósmicas, mas dos mesmos átomos que existiam todo sempre. Início e fim, alfa e ômega!

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Mais fantástica de todas as frases:
Estar ao lado só, não é o mais importante, o importante é ceder o lugar, estar ausente e amar é estar dentro do amor e não o amor dentro da gente, talvez o amor seja mais que um sentimento egoísta e mesquinho de posse, talvez seja aquilo que o criador sentiu ao nos fazer, talvez ainda sintamos na plenitude sem precisar esconder pra revelar, porque hoje, quando revelamos não o sentimos mais, porque só sentimos a sombra, da grande fera!


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