quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Tonga da Mironga do Cabuletê


De acordo com o Novo Dicionário Banto do Brasil, de Nei Lopes, estas palavras significam o seguinte: (1) tonga (do Quicongo), "força, poder"; (2) mironga (do Quimbundo), "mistério, segredo" (Houaiss acrescenta: "feitiço"); (3) cabuletê (de origem incerta), "indivíduo desprezível, vagabundo" (também empregado para designar um pequeno tambor que vai preso em um cabo, usado na percussão brasileira).
Quando Vinícus e Toquinho em 1970, fizeram esta música, desafiadora ao regime militar, eu tinha 5 anos, então, cresci ouvindo esta expressão, sempre no sentido de “não esquenta”, “tanto Faz”, “qualquer coisa que não interessa e eu to pouco me lixando”, não quer, então vai pra Tonga da Mironga do Cabuletê, esta expressão sempre veio regada a sorrisos, risos e gargalhadas.
As palavras, muitas vezes, são mais fortes que seu significados e a sonoridade é mais importante que a grafia. Desde meus primórdios de vida no século e milênio passados, me pergunto como surgiram as palavras. Vem de alguém, que ouviu de alguém, que ouviu de alguém, que mudou um pouco, que mudou mais um pouquinho e parecendo uma teoria Darwiniana, evoluiu, se mesclou, misturou, miscigenou, sincretizou e chegou aqui?
Os sons, como mantras, têm uma profundidade em nossos inconscientes e quem sabe, provavelmente em nossas almas.
Eu vivia fazendo ligações e entendendo muito quando entendia a origem.
Algumas palavras vêm do som que a natureza nos traz:
Trovão, cachoeira, chocalho e outras vêm de radicais que dizem tudo na sua formação, como as de origens gregas:
Gênesis: geração, origem, princípio, início, nascimento. Que vem dos Genos que eram grupos de pessoas na antiga Grécia que tinham em comum um antepassado, um pai e daí vêm gerar, general, genética, gerenciar, gênesis.
Temos as origens curiosas, o famoso canguru, que na língua dos nativos australianos significa literalmente “o que ele disse?”. Quando os ingleses viram o pulador marsupial, perguntaram o que é aquilo, ao que um nobre diligente silvícola, sem entender a língua, replicou a pergunta no seu dialeto e daí surgiu um nome!
Hoje estou ligth, que no sentido da palavra significa luz, mas foi difundido como leve, talvez porque em cores reduza a intensidade, acho que é isso, então vou brincar de Léxico, ou de lego.
Numismática: Poderia ser uma ciência esotérica, toda profunda, voltada a iluminação do ser, mas é só uma ciência que estuda moedas e medalhas.
Não vou mais longe não, tem muito pra discorrer neste assunto, as palavras mágicas, perdidas, de passe, inúmeras. Fica um toque de quero mais, uma curiosidade, um desafio.

Abracadabra significa não me firas
 Fiquem com o Vinicius e Toquinho!!
http://letras.terra.com.br/vinicius-de-moraes/86601/

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Segurança!


O que é segurança?
Segurança é a percepção de se estar protegido de riscos, perigos ou perdas. A segurança tem que ser comparada e contrastada com outros conceitos relacionados: Segurança, continuidade, confiabilidade.
Ô diacho! Esta semana fiz um exame de consciência, será que eu seguro mesmo as coisas? Sempre pensei que eu transmitia segurança nas coisas que fazia, mas andei percebendo outro lado do que a gente transmite. De que adianta, o super-herói mais forte e bonitão, se ele está protegendo outras vítimas indefesas que não você?
Acessibilidade é a palavra que deve vir anexada ao conceito de confiança e segurança.
Aquele que parece muito certo, mas que se você não é a pessoa mais veloz e exata, te deixa pra traz como um animal doente na manada, não parece mesmo ser a pessoa que te dá segurança.
Tem que voltar, esperar, respirar, estar em todos os momentos, os seus momentos não só os momentos dele.
Difícil dar segurança mesmo. Acho que eu não seguro com tanta firmeza, não me preocupo mesmo de verdade, às vezes a névoa da autoproteção e o véu do tantofazísmo, fala mais alto. Manter os olhos em todas as direções, pra proteger, defender do perigo me deixa tonto, acho que é labirintite mesmo!
Virar a cabeça com velocidade para os lados, enquanto passo dirigindo minha vida me confunde. Fácil é, olhar só pra frente ou só para trás, mas para os lados e mudar de direção, contra aquele objetivo, que está a frente, se importar, querer ser seguido, não parece natural pra mim.
Descobri neste domingo, o porquê de meus sonhos repetidos, principalmente na infância e algumas vezes também na fase adulta, sobre um elevador que anda de lado. Sim, sonhos onde o danado do artefato se desloca rapidamente na horizontal, depois fazendo curvas e sempre muito rápido e me deixando sem saber se eu chegarei à porta de saída do prédio ou ao andar ao qual estava me dirigindo.
Assisti a “Fantástica Fábrica de Chocolate” na versão nova com o Johnny Depp, muito mais repleta de efeitos do que o filme original de 1971, com o Gene Wilder, maluquinho aquele cara, o Johnny é mais chapado. Tudo isso tirado de um livro de 1964 de Roald Dahi. Nesta ficção científica infantil que eu me esforcei em tornar atrativo para meu filho de 2,5 anos, com comentários trazendo a história para compreensão dele, “DePerrente”, o Willy Wonka, entra com o garotinho, personagem principal da história o Charlie, em um elevador de vidro, elevador esse que se movimenta em todas as direções, com uma velocidade incrível.
Olha lá a causa de tantos sonhos que eu não entendia. Uma figura gravada no meu subconsciente, uma coisa que eu não consegui resolver quando criança povoou meu imaginário simplesmente nos últimos 30 anos.
Acreditem que assistindo a cena do elevador, agora com 45 anos nas costas, senti medo e insegurança, a irresponsabilidade de pilotar um elevador com propulsão a jato, com um garotinho indefeso dentro dele, me apavorou por alguns décimos de segundos, até eu entender tudo e ficar livre.
Nada seguro mesmo, esquivei-me de ser o ascensorista por tanto tempo, acho que vou andar neste elevador de vidro daqui pra frente, segurando e assegurando, pra quem estiver nele, que se ele cair, cairemos juntos!
 Lumpas Originais:
Lumpas Atuais:
O Filme Original:



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Tigre, Leão ou Liger?


Aposto que você já se deparou com a pergunta, “Que animal você se identifica?”, ou “Qual animal você pensa quanto te perguntam de um animal?” ou ainda “Que animal você gostaria de ser?”.


Respondia sempre de bate pronto:- Tigre!

Uma resposta raciocinada no que eu via no Tigre que se identificava comigo, ou que não se identificava comigo e eu queria ser. O maior, bonito, calmo e sereno, temido!


Uma vez, eu tinha uns 10 e voltávamos de uma pelada, do outro lado estrada do Oratório. Em frente ao borracheiro estava um carro de um circo com o pneu furado. Era uma jaula, com dois leões velhos. Bacana aquele dia, um bando de moleques curiosos e eu por “increça que parível”, me acheguei aos bichanos e numa onda de coragem toquei no pelo do velho desdentado, que estafado, estava encostado na grade do veículo. Que aventura, não esquecerei que o bicho estava fedido e cheio de moscas à rodeá-lo, nem de longe era o rei da selva.

Numa outra oportunidade, já com meus 14, aqui em Jundiaí, tive o prazer de ter no terreno de traz de casa um circo, pra vocês crianças, naquela época, circo tinha animais em cativeiro, leões, tigres, macacos, elefantes e toda espécie de coitadinhos privados de liberdade, mas que provocavam a curiosidade geral. Um dia voltando da escola, próximo das dezoito horas, já escurecia quando dobrei a esquina que me deixava ver o circo. Ouvi um rugido desconcertante que me fez procurar com os olhos a primeira coisa segura e encontrei um poste de luz, só não tentei subir porque a consciência voltou ao normal e entendi que não estava na selva e nem o gatinho estava solto. 


Recentemente, fomos levar o Murilinho no “Zoo Safári” (antigo Simba no Jabaquara-SP). Entre bichinhos silvestres e outros naturalmente interessantes, tivemos a oportunidade de parar do lado do habitat dos leões e o único macho do viveiro nos deu o ar da graça com um rugido! Lembrei-me na hora de olhar em volta e percebi como a natureza é desprovida de postes de luz pra nos protegermos.

Vi na internet, sobre o cruzamento de um leão com uma tigresa que em inglês, pra variar, ficou Liger (se lê laiguer). http://www.youtube.com/watch?v=uLJZSX4SG64


Como o leão é mais alto que o tigre e o tigre mais comprido e pesado que o leão, o leão com os membros frontais mais musculosos e o tigre com membros traseiros mais desenvolvidos a criatura nova ficou grande pra todos os lados e deixou a tigresa sua mãe parecendo um gatinho perto dele. Alguns detalhes melhoram a compreensão sobre estes grandes felinos. O leão é social, vive em bandos de muitos elementos, a caça em tempos de fartura é feito pela fêmea e o leão fica com a tarefa de proteger o clã. Neste momento ele se torna preguiçoso e adulado pela prole, teme a água e vive nas savanas. Quando a caça passa a ser de condições especiais raras ou de grandes presas, o leão entra em cena e mostra o caçador agressivo que é. Treinado desde a infância a ser agressivo e protetor, o leão não recua diante de nenhum invasor e luta praticamente até a morte contra um outro leão que busque usurpar seu trono.

O tigre por outro lado é solitário, só tolera um da mesma espécie na época de acasalamento, nunca caça em grupos e é furtivo, espreita as presas de pequeno porte e não é habituado a grandes disputas, é mais ágil e salta mais, sobe em árvores, não teme água.


Hoje não responderia mais que gostaria de ser tigre, quero ser o leão. Temido, forte, treinado e preguiçoso, tudo na medida certa.

Fiquei imaginando como os cruzamentos deste tipo podem ser ingratos, lembrei-me da história atribuída à Einstein, de que uma linda dona na época dele, o procurou fazendo uma proposta para ele ser o pai do filho dela, como argumento disse:

 -Imagina, com a minha beleza e sua inteligência
Ao que o Mago respondeu:

-Vamos esquecer cara senhora, imagina se ele tiver a minha beleza e a sua inteligência?


Aí olhei pro Liger com outros olhos, vi assim, um gatão enorme, com a preguiça do leão de barriga cheia e traiçoeiro como tigre, pronto pra pegar uma presa 10 vezes menor que ele na tocaia. Melhor deixar a natureza seguir seu curso e eu seguir o meu!

Às vezes sou defrontado com uma questão: Qual a chave do sucesso pra se montar um negócio?

Eu respondo sempre: Faça o que realmente goste e entenda e planeje como se tudo demorasse pra dar certo e veja se você aguenta esperar!


Pensando bem, como você se portaria contratando um funcionário pra fazer aquilo que você fazia sozinho e dava conta como empregado, aí esta boa pessoa tem problemas familiares, de saúde, compromissos e de vez em quando, te deixa na mão, aí você contrata uma segunda pra que a coisa equilibre, mas esta ou aquela tiram férias, então você precisa de uma terceira, então você já tem que produzir bem mais, isso sem problema não é?

Lembra-se do termo “quinto dos infernos”, pois é, hoje é terço, um terço de todo dinheiro produzido por seu negócio é consumido por impostos. Na época do quinto, era um quinto do ouro derretido, imagina se eles pagassem as despesas com os escravos, alimentação, estadia e ferramental todo nessa mesma proporção? O Brasil não teria acontecido não é? Pois é, acontece assim mesmo hoje, mas pelo menos tem o sindicato que garante o direito dos trabalhadores e o governo que provem segurança, infraestrutura, saúde e educação.

Quando for começar alguma coisa por conta, pense positivo, seu Liger vai ser forte, corajoso, ágil e confiável, mas lembre-se que ele come carne que não acaba mais e se ele for preguiçoso e traiçoeiro então, você é que vai ter que ser forte!

Hakuna Matata, lembrem-se disso!!!!!