terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Máscaras



Hoje é 23 de Dezembro de 2011, vinha para o trabalho, um meio-pau, como costuma-se  dizer de um dia de trabalho em que só trabalhamos metade do dia..blá blá blá blá blá.

Achei uma pasta de musicas no pen drive do carro do Fredie Mercury, pra ser mais machão, poderia chamá-lo de Alfredo, (nossa, destruí o camarada agora!) tocou uma musica que gosto, The Great Pretender.


Lembrei-me, dos estudos de inglês (língua, aliás, que por algum trauma que um dia me livrarei, tenho dificuldades enormes para falar), da expressão False Friends e do vocábulo pretender, que por mais que pareça significar pretender, na verdade quer dizer fingir, enganar, disfarçar, e coisas assim dissimulando tudo. Pra clarear, copiei uma explicação que achei pronta, melhor do que inventar a roda:
“Os False Friends (Falsos cognatos) são termos normalmente derivados do latim e que apresentam forma semelhante em Português e Inglês, mas significados diferentes”

Divagando na filosofia, pensei em como disfarçamos coisas, mas por que, todo mundo faz isso de diversas formas? Muitas vezes para autoproteção, outras por costume, a maioria das vezes só por ter autoimagem diferente da maioria das pessoas e às vezes por mau-caratismo mesmo.

Sem chance de não me lembrar de algo que li muito jovem, sobre a persona, aquela da psicologia e que também é a que significa máscara teatral. Sabia que em Veneza as máscaras eram usadas para que os nobres pudessem se misturar as pessoas comuns e curtir o carnaval nas ruas e eram obrigatórias?



Uma parte das coisas que queria dizer, já disse, um pouco antes, quando divaguei. Nem sempre é necessário ter as respostas, mas sempre é necessário fazer as perguntas.

O ser humano nasce sem saber-se Um, somos na verdade um organismo, com trilhões de células individuais, fazendo funções coletivas, uma complexidade, mas a consciência do EU, vai se formando e num momento compreendido na mais tenra infância, desejamos ser um individuo e passamos a reagir de acordo com uma imagem que criamos de nós mesmos. Reagimos numa situação como se tivéssemos ódio, em outra situação somos amorosos, mas tudo em função desta máscara que construímos. A máscara do chato, do palhaço, do coitado, do intelectual, do faz tudo, do indolente, muitas máscaras, às vezes temos uma pra cada ocasião, mas quando mudamos pouco de máscaras somos chamados de uma pessoa de personalidade.

Pra que serve isso? Na sétima série havia um rapaz na minha sala que tinha cara de bravo, era sempre sério, marrudão mesmo, um dia estávamos jogando bola num terreno baldio e o vizinho do terreno foi dizer que não podíamos jogar lá e ele encarou o homem e disse que ninguém nos tiraria de lá. Bom, hoje em dia ter crianças retardadas assim é mais comum, mas há trinta e tantos anos atrás, respeitávamos os mais velhos e um moleque de 12 anos brigando contra adultos pelo direito que achava que tinha não era tão comum. Em resumo, achei que eu deveria ser que nem ele, mas nunca consegui, eu era muito maleável, acho que não tinha personalidade, acho que não tinha nada que marcasse para aquelas pessoas ao meu redor, sei lá, só sei que encontrei com este rapaz na fase adulta, ele trabalhando numa praça de pedágio, conversamos rapidamente e fiquei sabendo que ele não teve oportunidade de continuar os estudos, continuava com aquela cara fechada, essa característica talvez não o tenha levado a lugar algum, sabe-se lá.
Olhando pelo olhar adulto, provavelmente fui uma pessoa que desenvolveu a personalidade mais lentamente, acredito que não saber exatamente quem eu era me deu múltiplas possibilidades, mas só consegui usufruir disso muito depois da infância e continuo a entender quais máscaras usar. Hoje, por “increça que parível,” não me vejo mais escolhendo máscaras, acho que já foi tudo fundido na minha cara e não tem grandes novidades para fora, só para dentro que continua tudo mudando todo dia.

Será que sem máscaras seríamos grandes moluscos informes? Coisas sem graça, ou seríamos criaturas em paz? Existe evolução em coisas iguais? O mundo é feito de criaturas iguais? Deus é amorfo?

Pensei agora: as máscaras nos protegem, melhoram ou pioram? O importante deve ser não estar contido nela, devemos ser como os nobres em Veneza, nos esconder para sermos iguais, e sentirmos a vida aqui e agora, mesmo sabendo que estamos evoluindo para um mundo muito superior, afinal o lado de lá é do lado de lá!

Outra pergunta que me veio: Se estou evoluindo tanto, por que me deu torcicolo e não passa tão rápido quanto eu queria? Sou o não um ser tããão evoluído. Tenha paciência não é? 




segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Evanescente



Poderia definir alguma coisa evanescente, comparando-a como uma coisa que dura tanto quanto a efervescência de um sal de frutas quando jogado à água, mas isso seria muito simples pra mim!

A primeira recordação minha de datas foi quando estava no primeiro ano na escola Tio Patinhas, na Rua Francisco Fett em São Paulo. Deveria ser um Fevereiro, lembro-me que no dia anterior o dia estava nublado e naquele dia estava ensolarado. Comecei escrevendo o cabeçalho, do lado de um solzinho que tinha acabado de desenhar, tudo copiando da lousa, que a professora tinha acabado de escrever:

São Paulo, 23 de Fevereiro de 1972. O dia está ensolarado.

Percebi que mudava o numero dois do ano e depois daquele dia comecei a me atentar para o ano corrente e nunca mais deixei de ser escravo do tempo.

Em 1972, foi o ano em que meu Pai trabalhava na Bahia e no fundo de casa, numa laje inacabada aconteciam os bailinhos que minha Tia Neusa e seus amigos organizavam lembro-me de nomes, Gigi, Piloto e Dirce, Preto e sua namorada, sei lá acho que Denise, se minha tia ler isso, ela deve voltar ao passado e me mandar o nome da namorada do Preto, que, aliás, era muito branco. Lembro-me da frase na parede BLITZ OF LOVE. Que meu Pai sabiamente e por conhecer um pouco de alemão me explicou que era a conjunção de uma palavra em alemão com uma em inglês e que significava algo como batida de amor, ataque de amor, coisa assim. Agora sei que Blitz significa relâmpago, como querendo dizer algo que chega muito rápido, avassalador. Tinha luz negra e um encerado preto que deixava o ambiente escuro e um globo de isopor cheio de espelhinhos quadradinhos. Este globo ficava no compartimento da direita de quem entrava e logo em baixo existia um desenho de uma cripta, acho que foi o Piloto que desenhou. Eu olhava aquelas luzes todas, os reflexos do globo da luz negra e viajava como se estivesse indo para o espaço sideral, ficou mais que lembranças daquele tempo e lugar, ficaram sonhos de conquistas.

Depois de uns anos, lá nesse fundo de casa existiu a oficina do Nardo, filho do Seu Pedro, dono do bar em frente e que no futuro viria a ser meu padrinho de crisma. Lá conheci uma coisa que me encantou, a pedra de carbureto.
Um Gerador de acetileno é um cilindro com uma cesta onde se coloca o carbureto, que é uma pedra que quando em contato com água, produz o tal gás (CaC2 + 2 H2O -> C2H2 + Ca(OH)2) 


Lembro-me que as pedras que saíam da cesta do gerador eram extremamente quentes e ainda exalavam o gás, pela minha curiosidade alguém que não me lembro, pela primeira vez pegou uma pedra de carbureto e colocando no chão derramou água e ateou fogo. Foi o máximo, uma pedra fazendo fogo e o que sobrou foi um lodo, um nada, um pó que por mais que eu quisesse jogar água de novo, não pegava mais fogo.
Não sabia de onde vinham as pedras, nunca via, só sabia que por mais que tivéssemos pedras elas sempre acabavam e imaginei se as jazidas dessas pedras um dia acabariam e não mais conseguiríamos soldar os carros da oficina e ninguém mais repararia carros no mundo.
Na minha “mente brilhante” neste momento, comecei a tentar solucionar isso e meus heróis imaginários passaram a usar uma arma que eu cientista inventei e que trazia acima do corpo da arma um invólucro de vidro que continha um líquido de várias cores dependendo da intenção da arma e variava de azul, vermelho ao incolor. Este líquido rendia tanto que não seria necessário recarregá-lo mesmo que a batalha fosse muito longa.
 Agora sei de onde a ideia saiu, daquelas máquinas de sorvete americano que tinha no caminho entre minha casa e a dos meus avós, na estrada do Oratório. Quando o sorvete ia surgindo no bocal inferior da máquina eu ficava observando o líquido e nunca via o danado baixar, acho que por isso tinha aquele produto como inextinguível. Não entendia naquela época que o sabor ia também embora tão rápido porque os espaços na matéria para este produto eram maiores ainda do que nos outros. 


Mas...

Nada é inextinguível. Até as lembranças vão se indo e o sentimento parece que se vai com elas. Parece mesmo que alguma coisa fica e não consigo entender onde se armazena, se a separação entre as memórias e os sentimentos ocorre na mente física ou se em algum lugar daquilo que chamamos alma existe uma reserva daquilo que não pode ser só raciocinado.
A cena de escrever o cabeçalho no caderno em 1972 foi há mais de quarenta anos e não me lembro do caderno nem das letras materialmente, mas lembro do sentimento da manhã de sol e da ânsia por conhecer mais. Sabe, continuo tendo esta vontade de conhecer mais e sentir mais o sol nos meus ombros (sunshine on my sholders!).

Algumas músicas trazem coisas que não precisam de complemento, tem uma do Biquíni Cavadão, se chama Descivilização, que diz tanto sobre a perenidade da vida que vou copiar a estrofe sem querer e necessitar explicar:

Na chuva dos dias, meu nome vai fugir
Escorrer pela terra, até que as plantas o suguem
Aí ele será uma presença inaudível em todo lugar
Como algo tão notório e que, por isso, não precisa se falar
Sol sem brilho, luz sem cor
Descivilização
Porque a vida é passageira; e a morte, o trem.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Olho que tudo vê?


Anotem aí: Faça um molho rose, com tomate, creme de leite, ketchup e mostarda. Deixe quentinho na panela. Pique 1 cebola em cubos, pique 6  castanhas do pará e umas 150 gramas de queijo bola. Nestas picações, faça-as de modo irregular, o efeito desejado é esta irregularidade. Frite a cebola, no teflon é bom, até começar a corar e misture a castanha, deixe ficar tudo escuro e oleoso. Despeje no molho rose. Misture o queijo no final. Sirva com arroz branco, discreto no tempero e hambúrgueres de carne sabor picanha, se não tiver serve uns bifes de picanha na chapa mesmo, fazer o que? Pronto! Vinho branco vai bem, o tinto perderia o encanto e a água de coco ganha um especial sabor quando ingerida com esta receita.
O que tem a ver?  Procure quando concluir a leitura do texto, ou será só porque quis guardar essa invenção de sábado no almoço?

Vou viajar para um passado longínquo para buscar mais respostas (ou seriam mais perguntas?).

Antes do Deus do antigo testamento ser Oni-tudo, ele era só o Deus da montanha. No período lá perto de 1300 AC, quando falava diretamente com Moisés, morava no alto do monte Sinai. Por volta de 597 AC, no tempo do exílio para Babilônia por Nabucodonosor, que a ideia de onipresente passou a ser difundida, de forma a manter a fé Judaica mesmo longe da casa de seu Deus, então os salmos que contemplam Deus das alturas vem primeiramente da visão do Deus da montanha.

Quando eu tinha entre 6 e 8 meses, minha primeira lembrança consciente deste mundo, Eu num berço colocado na área adjacente a cozinha da casa de meus avós maternos e segurando na guarda do berço. Recebia gracinhas e carinhos do meu avô Antônio, com a barba espinhuda que me fazia cócegas. Lembro-me de que éramos dois bobos encantados um com o outro, rindo sem parar, até que alguém passou e disse: - “encheu a fralda de novo?”, só podia ser minha avó Emília, que foi criada e sempre criou os filhos para verem algo negativo em tudo, acho que um jeito de sobreviver diante da miséria que abatia a grande maioria dos imigrantes italianos do começo do século XX.
Desci imediatamente da guarda e me lembro de uma profunda tristeza que me levou ao choro.

Uns dois anos mais tarde, estava na parte superior da casa que morava, uma laje com um quarto, no fundo da casa de meus avós, aquilo veio a ser uma malharia, mas não me lembro quando isso foi. Eu tomava sol e era entre julho e agosto, pois ventava frio a pesar do sol forte. Pressenti a formação de um redemoinho de vento, daqueles que minha avó dizia serem a origem dos sacis. Não tive medo como deveria por estar só e ter sido condicionado a ter medo de sacis, além de todas as outras coisas. A formação aconteceu, o frio nas minhas costas, estava eu virado para um canto entre 3, primeiro a poeira subindo depois todos os restos de papéis e folhas espalhados pela laje se juntaram e finalmente o serpentear do ciclone até tudo se dispersar sobre o telhado e ao longe.

Perguntei-me, com essa tenra idade: de onde eu vim, como a pouco eu não conhecia estas pessoas que tem tão pouco a ver comigo? Por que eu não me vou com o vento como tenho vontade? Este é um mistério mesmo pra mim, de onde vieram estas perguntas e o porquê delas, acho que ainda não sei responder plenamente, mas vou tentar.

Um ponto adimensional contendo toda a Sabedoria do Universo se moveu, indo para um outro ponto, usando a Força. Neste momento esta reta era a primeira representação do equilíbrio entre o negativo e positivo, opostos se completando, mas lá no Genesis, e “Deus viu que era bom”, como Ele poderia ver sem se afastar da criação e se deslocando contemplou a Beleza formando um triângulo que passou a determinar um plano. Toda a tridimensionalidade e o Universo ao qual contemos (não ao que somos contidos) surgiram e como se o tempo não existisse para a Sua infinita duração de existência, pode ver toda a obra do começo ao fim, sendo então o Alfa e o Omega!
Acho que a Santíssima Trindade realmente formou o “nós” e todos somos este “nós” e por sermos parte criatura e parte criadores, não vislumbramos a obra toda, não conseguimos pela nossa perene existência, olhar além de um pouco tempo.

Estando andando em uma quadra de ruas, quando chegamos à esquina, podemos ver um caminho enorme para trás e muito pouco a nossa frente, ao dobrarmos a esquina, não vemos mais nada para trás e todo um caminho a nossa frente. O tempo parece ser dividido assim, estamos sempre vendo em parte.
Quando nos elevarmos, veremos a quadra toda, a cidade toda, o planeta todo, a criação toda, indo com o vento, sentindo o sopro divino a nos embalar e transportar.

Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo o cuidado
Meu amor

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Todo Poderoso


Falei em energia há pouco tempo e me peguei pensando que só entender a energia em si, não realizava nada, então comecei a pensar no controle da energia.

Lembro-me que quando eu tinha uns 7, talvez 8, fiz o catecismo e me falaram que Deus era onisciente onipresente e onipotente:

- Onisciente: Aquele que possui todo o conhecimento, toda a ciência.
- Onipresente: Aquele que está presente em toda parte.
- Onipotente: Aquele que pode todas as coisas.

Outra coisa que aprendi é que o homem é a imagem e semelhança de Deus.

No último dia da criação, disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26). Então, Ele terminou Seu trabalho com um “toque pessoal”. Deus formou o homem do pó e deu a ele vida, compartilhando de Seu próprio fôlego (Gênesis 2:7)

Tem sido notória a evolução da humanidade, principalmente com a net. O homem está chegando a um nível de Onisciência fantástico. Se pensarmos bem, esse saber de tudo que se quiser este compartilhamento de informações está criando fora de nós uma consciência coletiva cibernética.

Quando mudei pra Jundiaí em 1979, tínhamos os eletrodomésticos em 110 V e aqui na roça a tensão era e ainda é 220 V. Eu tinha 13 anos e queria nesta fase da minha infância e pré-adolescência, encontrar algum superpoder que me diferenciasse dos demais e da minha auto-imagem de inferior socialmente, aí ficava olhando para o ponteiro do transformador da televisão e usando minha força da mente, queria move-lo para cima e para baixo, as vezes por coincidência acontecia. Outra que eu tentava era erguer pedras, muito antes do mestre Yoda. Graças a esta vontade implícita viva querendo entender o porquê das coisas fisicamente e até cheguei uma vez a tentar uma experiência com um prego e uns fios numa tomada, mas o anjo da guarda me impediu de ir até o fim e chegando meu pai à noite em casa, lhe contei a minha brilhante ideia, da qual ele me respondeu que era muito inteligente minha descoberta, mas o que eu queria fazer já existia e se chamava motor elétrico. (Na verdade Tales em 641 AC já observara a eletricidade estática magnetizando corpos com atrito – a magnetização é o principio do motor elétrico).
Depois de alguns anos descobri que a verdadeira força da mente é aquela que impulsiona nossos braços ao trabalho e acaba movendo o mundo.

O poder em manipular as informações tanto quanto o poder em manipular a energia é a meta do alquimista.

O Segredo do grande poder no relacionamento humano é reconhecer a divindade dentro de nós e olhar nos olhos sem o medo da reprova, saber que nada se tem a temer a não ser tentar esconder a fraqueza. Sou fraco em tantas coisas, mas tenho uma força que me surpreende no momento em que olho pras coisas e pras criaturas com o olhar de Deus as criando. Sou o Todo Poderoso neste momento, fantástico isso, tentem!

Como proclamava Sócrates, as maiores virtudes são a beleza a bondade e a justiça.
Então valorizemos a beleza da criação, sejamos bons e pratiquemos a Justiça.

Por falar nisso, quem são o “Nós” na frase do Gênesis? Santíssima Trindade? Ai ai ai! Nunca me explicaram direito isso, ou pelo menos nunca me convenceram.

Façamos uma salva com Cinco palmas a isto então!


Em homenagem a minha mãe que chorava de saudades do meu pai ouvindo esta música!