segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Olho que tudo vê?


Anotem aí: Faça um molho rose, com tomate, creme de leite, ketchup e mostarda. Deixe quentinho na panela. Pique 1 cebola em cubos, pique 6  castanhas do pará e umas 150 gramas de queijo bola. Nestas picações, faça-as de modo irregular, o efeito desejado é esta irregularidade. Frite a cebola, no teflon é bom, até começar a corar e misture a castanha, deixe ficar tudo escuro e oleoso. Despeje no molho rose. Misture o queijo no final. Sirva com arroz branco, discreto no tempero e hambúrgueres de carne sabor picanha, se não tiver serve uns bifes de picanha na chapa mesmo, fazer o que? Pronto! Vinho branco vai bem, o tinto perderia o encanto e a água de coco ganha um especial sabor quando ingerida com esta receita.
O que tem a ver?  Procure quando concluir a leitura do texto, ou será só porque quis guardar essa invenção de sábado no almoço?

Vou viajar para um passado longínquo para buscar mais respostas (ou seriam mais perguntas?).

Antes do Deus do antigo testamento ser Oni-tudo, ele era só o Deus da montanha. No período lá perto de 1300 AC, quando falava diretamente com Moisés, morava no alto do monte Sinai. Por volta de 597 AC, no tempo do exílio para Babilônia por Nabucodonosor, que a ideia de onipresente passou a ser difundida, de forma a manter a fé Judaica mesmo longe da casa de seu Deus, então os salmos que contemplam Deus das alturas vem primeiramente da visão do Deus da montanha.

Quando eu tinha entre 6 e 8 meses, minha primeira lembrança consciente deste mundo, Eu num berço colocado na área adjacente a cozinha da casa de meus avós maternos e segurando na guarda do berço. Recebia gracinhas e carinhos do meu avô Antônio, com a barba espinhuda que me fazia cócegas. Lembro-me de que éramos dois bobos encantados um com o outro, rindo sem parar, até que alguém passou e disse: - “encheu a fralda de novo?”, só podia ser minha avó Emília, que foi criada e sempre criou os filhos para verem algo negativo em tudo, acho que um jeito de sobreviver diante da miséria que abatia a grande maioria dos imigrantes italianos do começo do século XX.
Desci imediatamente da guarda e me lembro de uma profunda tristeza que me levou ao choro.

Uns dois anos mais tarde, estava na parte superior da casa que morava, uma laje com um quarto, no fundo da casa de meus avós, aquilo veio a ser uma malharia, mas não me lembro quando isso foi. Eu tomava sol e era entre julho e agosto, pois ventava frio a pesar do sol forte. Pressenti a formação de um redemoinho de vento, daqueles que minha avó dizia serem a origem dos sacis. Não tive medo como deveria por estar só e ter sido condicionado a ter medo de sacis, além de todas as outras coisas. A formação aconteceu, o frio nas minhas costas, estava eu virado para um canto entre 3, primeiro a poeira subindo depois todos os restos de papéis e folhas espalhados pela laje se juntaram e finalmente o serpentear do ciclone até tudo se dispersar sobre o telhado e ao longe.

Perguntei-me, com essa tenra idade: de onde eu vim, como a pouco eu não conhecia estas pessoas que tem tão pouco a ver comigo? Por que eu não me vou com o vento como tenho vontade? Este é um mistério mesmo pra mim, de onde vieram estas perguntas e o porquê delas, acho que ainda não sei responder plenamente, mas vou tentar.

Um ponto adimensional contendo toda a Sabedoria do Universo se moveu, indo para um outro ponto, usando a Força. Neste momento esta reta era a primeira representação do equilíbrio entre o negativo e positivo, opostos se completando, mas lá no Genesis, e “Deus viu que era bom”, como Ele poderia ver sem se afastar da criação e se deslocando contemplou a Beleza formando um triângulo que passou a determinar um plano. Toda a tridimensionalidade e o Universo ao qual contemos (não ao que somos contidos) surgiram e como se o tempo não existisse para a Sua infinita duração de existência, pode ver toda a obra do começo ao fim, sendo então o Alfa e o Omega!
Acho que a Santíssima Trindade realmente formou o “nós” e todos somos este “nós” e por sermos parte criatura e parte criadores, não vislumbramos a obra toda, não conseguimos pela nossa perene existência, olhar além de um pouco tempo.

Estando andando em uma quadra de ruas, quando chegamos à esquina, podemos ver um caminho enorme para trás e muito pouco a nossa frente, ao dobrarmos a esquina, não vemos mais nada para trás e todo um caminho a nossa frente. O tempo parece ser dividido assim, estamos sempre vendo em parte.
Quando nos elevarmos, veremos a quadra toda, a cidade toda, o planeta todo, a criação toda, indo com o vento, sentindo o sopro divino a nos embalar e transportar.

Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo o cuidado
Meu amor

Um comentário:

  1. “Quando eu tinha entre 6 e 8 meses, minha primeira lembrança consciente deste mundo”
    Nossa!!! 6 meses, isto não é normal, rssss. Brincadeira aparte, isto me fez pensar qual seria minha primeira lembrança.
    Eu acordei em um berço na cor de madeira envernizada, minhas cobertas eram vermelhas, na verdade eu tenho certeza se eram as minhas cobertas ou a da cama dos meus pais. A primeira vontade que tive foi de chorar, chorei, mas minha mãe não apareceu, minhas primas, não lembro se foram as duas ou uma, vieram como mães ou como crianças como quando brincam de boneca me socorrer do choro desesperado.
    Ontem conversei com a minha mãe sobre este acontecimento tentando fazer uma linha de tempo para descobrir qual seria minha idade, minha mãe me surpreendeu dizendo que se lembrava deste dia, pois foi o primeiro dia em que ela contratou uma baba e me deixou sozinho quando foi ao trabalho, o problema foi que baba não apareceu e eu passei o dia com as minha primas que tinham entre 6 e 8 anos.
    Hoje elas são casada uma com um filho de 2 anos, minha mãe me disse que eu tinha por volta dos 2 anos.
    Luis não tem ligação com o assunto mas este discurso longo do Steves Jobs é memorável.
    http://www.youtube.com/watch?v=66f2yP7ehDs

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