Tão sutil como um elefante numa loja de
cristais...
O elefante é um ser tão amável, nunca julgaríamos
que ele fizesse algo com intenção de magoar, mas numa loja de cristais ele
estaria desconfortável, deixaria todos desconfortáveis e cada mexida na
tentativa de simplesmente ficar imóvel transferindo o peso de um par de patas
para o outro já causaria um estrago incalculável.
Sutil, por definição: Composto por partes finas,
delgadas, tênue.
Mas me identifico com o sentido figurado: agudo, delicado, apurado, penetrante,
que recebe facilmente as impressões (falando dos sentidos).
Delicado e ao mesmo tempo penetrante, ir além do
alcance que se atingiria simplesmente usando a força.
Falei de cristais? Então vamos para o fundo e
avante!
Cabala: aquilo que é recebido. Aquilo que não pode
ser conhecido apenas através da ciência ou da busca intelectual. Um
conhecimento interior que tem sido passado de sábio para aluno desde o
despertar dos tempos. Uma disciplina que desperta a consciência sobre a
essência das coisas.
Muita gente pode pensar em numerologia, ou outra
destas visões superficiais das coisas, mas isso vai muito além, olhem esta
descrição que encontrei nas minhas navegações:
“Para explicar nosso mundo sem examinar esta
profundeza interior é tão superficial quanto explicar o trabalho de um
computador descrevendo as imagens vistas no monitor. Se virmos uma bola
movendo-se para cima e para baixo na tela, diríamos que está ricocheteando
contra o fundo da tela? Os dispositivos na sua barra de rolagem exercem alguma
força sobre a página dentro da tela? A barra do menu tem realmente os menus
ocultos atrás dela?O autor de um software de uso facilitado seguiu regras consistentes para que você possa trabalhar confortavelmente dentro dele. Se for um jogo de alguma complexidade, ele precisou determinar e seguir um grande conjunto de regras. Mas uma descrição destas regras não é uma explicação válida de como isso funciona. Para isso, precisamos ler seu código, examinar o equipamento, e, mais importante - examinar a descrição de seu conceito original. “Precisamos vê-lo da maneira que o autor o vê, como evolui passo a passo de um conceito em sua mente através do código que ele escreve, até os pontinhos fosforescentes minúsculos na tela.”
A simplória tipificação de Deus sendo um velhinho
de barbas brancas sentado num trono maravilhoso de fogo cria a maior das
armadilhas para a fé.
Imaginemos Deus como sendo o Todo. Uma expansão
infinita de luz. Num determinado momento, exclusivamente pela vontade de não
ser somente um, se retrai, deixando no seu centro um vácuo, sem sua presença.
Aí começa a criação do nosso mundo, do universo
visível e invisível. Esculpindo no nada, com filetes de sua luz, talhando
montanhas vales, oceanos e seres. Numerando incansavelmente sua criação,
deixando-se perceber somente por capilares fios de luz.
Se a luz toda retornasse a criação acabaria e tudo
se tornaria de novo uno, como se
olhássemos diretamente para o sol, ficando cegos. Olhando-se a luz do sol
indiretamente, somos banhados por ela, sem perdermos a visão.
Complicado não é? Muitos números compondo um código
da criação, entender que somos um grão de mostarda na superfície de um planeta
que só é um grão de mostarda no nosso mundo, que só é um grão de mostarda em
outro mundo.
A Cabala mostra que a filosofia sobre um mundo
maior, sobre um poder criador, é coisa muito antiga e está disponível pra quem um
dia se interessar possa.
Ein Sof, os dez Sefirot, as vinte e duas letras, o
Keter (coroa translucida, primeiro Sefirot e anteparo para receber a luz divina)
e muito mais.
Fazer de conta que tudo é por acaso no universo é
mesma coisa que queimar a biblioteca de Alexandria e achar que só porque não
sabemos algo, esse algo não exista.
Bom! Quero ser sutil, penetrar os vasos de cristal
que protegem os seres mortais da divindade, ser como o meu criador, inundar sem
ser percebido. Afinal, como diz aquela máxima: “Não sou o dono do mundo, mas
sou filho dele”.
Algumas referências:


