quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sutil - Cabalisticamente falando


Tão sutil como um elefante numa loja de cristais...
O elefante é um ser tão amável, nunca julgaríamos que ele fizesse algo com intenção de magoar, mas numa loja de cristais ele estaria desconfortável, deixaria todos desconfortáveis e cada mexida na tentativa de simplesmente ficar imóvel transferindo o peso de um par de patas para o outro já causaria um estrago incalculável.
Sutil, por definição: Composto por partes finas, delgadas, tênue.
Mas me identifico com o sentido figurado: agudo, delicado, apurado, penetrante, que recebe facilmente as impressões (falando dos sentidos).
Delicado e ao mesmo tempo penetrante, ir além do alcance que se atingiria simplesmente usando a força.
Falei de cristais? Então vamos para o fundo e avante! 
Cabala: aquilo que é recebido. Aquilo que não pode ser conhecido apenas através da ciência ou da busca intelectual. Um conhecimento interior que tem sido passado de sábio para aluno desde o despertar dos tempos. Uma disciplina que desperta a consciência sobre a essência das coisas.
Muita gente pode pensar em numerologia, ou outra destas visões superficiais das coisas, mas isso vai muito além, olhem esta descrição que encontrei nas minhas navegações:
“Para explicar nosso mundo sem examinar esta profundeza interior é tão superficial quanto explicar o trabalho de um computador descrevendo as imagens vistas no monitor. Se virmos uma bola movendo-se para cima e para baixo na tela, diríamos que está ricocheteando contra o fundo da tela? Os dispositivos na sua barra de rolagem exercem alguma força sobre a página dentro da tela? A barra do menu tem realmente os menus ocultos atrás dela?
O autor de um software de uso facilitado seguiu regras consistentes para que você possa trabalhar confortavelmente dentro dele. Se for um jogo de alguma complexidade, ele precisou determinar e seguir um grande conjunto de regras. Mas uma descrição destas regras não é uma explicação válida de como isso funciona. Para isso, precisamos ler seu código, examinar o equipamento, e, mais importante - examinar a descrição de seu conceito original. “Precisamos vê-lo da maneira que o autor o vê, como evolui passo a passo de um conceito em sua mente através do código que ele escreve, até os pontinhos fosforescentes minúsculos na tela.”
A simplória tipificação de Deus sendo um velhinho de barbas brancas sentado num trono maravilhoso de fogo cria a maior das armadilhas para a fé.
Imaginemos Deus como sendo o Todo. Uma expansão infinita de luz. Num determinado momento, exclusivamente pela vontade de não ser somente um, se retrai, deixando no seu centro um vácuo, sem sua presença.
Aí começa a criação do nosso mundo, do universo visível e invisível. Esculpindo no nada, com filetes de sua luz, talhando montanhas vales, oceanos e seres. Numerando incansavelmente sua criação, deixando-se perceber somente por capilares fios de luz.
Se a luz toda retornasse a criação acabaria e tudo se tornaria de novo uno, como se olhássemos diretamente para o sol, ficando cegos. Olhando-se a luz do sol indiretamente, somos banhados por ela, sem perdermos a visão.
Complicado não é? Muitos números compondo um código da criação, entender que somos um grão de mostarda na superfície de um planeta que só é um grão de mostarda no nosso mundo, que só é um grão de mostarda em outro mundo.
A Cabala mostra que a filosofia sobre um mundo maior, sobre um poder criador, é coisa muito antiga e está disponível pra quem um dia se interessar possa.
Ein Sof, os dez Sefirot, as vinte e duas letras, o Keter (coroa translucida, primeiro Sefirot e anteparo para receber a luz divina) e muito mais.
Fazer de conta que tudo é por acaso no universo é mesma coisa que queimar a biblioteca de Alexandria e achar que só porque não sabemos algo, esse algo não exista.
Bom! Quero ser sutil, penetrar os vasos de cristal que protegem os seres mortais da divindade, ser como o meu criador, inundar sem ser percebido. Afinal, como diz aquela máxima: “Não sou o dono do mundo, mas sou filho dele”.
Algumas referências:
Esta do Skank é sutilmente maravilhosa  http://letras.terra.com.br/skank/1342038/


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