História vem e história vai, ultimamente venho tendo uns vazios na
memória, muitas coisas foram embora da minha mente, então tenho que correr pra
escrever as heroínas da resistência!
Tinha uns 9, primeira vez no Play Center, chegamos era umas 10:15, Meu
Pai, a Valéria minha irmã e eu é claro.
O Parque abria acho que as 11, pra mim foi uma eternidade dentro do
carro, parece que a marginal não tinha movimento aquela época, tudo era longe e
distante e estávamos lá, toda a expectativa do mundo.
Aquele dia foi inesquecível mesmo, entre muitas coisas, teve a montanha
russa, Deus que me livre, tava minha irmã na frente, meu Pai logo atrás dela e
eu atrás dos dois, um penetra completava o carrinho, só lembro-me de gemer,
logo após a primeira queda, dizendo.. paaaiii, quero descer..nem gritar eu
conseguia rsrs.
Lembrada Monga? Foi muito legal, só estávamos os três e quando a macaca
escapou da jaula, eu e minha irmã disparamos pra fora da tenda enquanto meu Pai
calmamente ficou imóvel rindo na cara da bichinha (eita homem insensível..kkk)
A primeira Banana-Split a gente nunca esquece. Então, foi lá, comi uma
sozinho, o que parecia um exagero enorme, mas me lembro de cada colherada,
nunca mais as Bananas-Split foram as mesmas, o que é o momento né? Muitas
outras coisas na minha vida tiveram momentos especiais e as coisas ao redor se
tornaram mágicas, as vezes um dia de chuva e frio vira cenário para lembrar uma
vida toda!
Teve o King Kong, impressionante para a época, o teleférico, o Bonanza
onde tive meu primeiro contato com o tiro-ao-alvo. Lembro-me daquele mundo
silvestre, do urubu fazendo funcionar a bomba d’água, dos esquilos escovando os
dentes, do alvo que fazia o pianista tocar.
Uma coisa que marcou então e é o “alvo” desta história, foi o carrinho
bate-bate. Um pouco antes de encaramos este feroz brinquedo, meu Pai andou de
Kart, e ficamos eu e a Valéria torcendo pra ele, foi emocionante e minha cabeça
que criava sem parar histórias sobre tudo, começou malucamente a trabalhar, mas
esta é outra história.
Foi assim então, meu Pai com a Valéria em um carrinho e eu sozinho em
outro. Já me deu um medo enorme, sabe como é, estava super seguro com o Velho
perto e de repente, estava por conta própria.
Descobri um mundo novo quando aquele troço que eu até ele começar a
andar, só me despertava medo de tomar choque.
Eu tinha na minha mente uma máquina de calcular espaços e trajetórias,
sem nunca ter estado em movimento por conta própria, conseguia antever cada
movimento daquela dezena de carrinhos. Todos querendo se acertar e eu
suavemente escapando ileso. Os pouco mais de 3 minutos que dirigi o bólido, estava
transcorrendo sem nenhuma batida.
Percebi um garoto gordinho que viu o que eu
estava fazendo e passou a me perseguir, achei um desafio e continuei a deixar
minha mente fluir minhas ações. Percebia com alguma fração de segundo pra onde
a nuvem de carros ia e desviava, dava ré (coisa que se faz esterçando ao máximo
o volante), nestes momentos que se passaram, eu conseguia olhar para o rosto
dos motoristas, perceber as reações, os sorrisos, a cara de pânico engraçada na
hora da batida e ali num momento sublime de euforia, depois de vencer todos os
inimigos imaginários, me deixei atingir e tinha que ter filmado a cara de
satisfação do menino gordinho, que sorriu de mais, assim como eu também sorri,
como uma criança, que no final das contas eu era e ainda sou.
O tempo se passou e com meu 45 anos bem vividos e depois de começar a
dirigir com 12 anos, nenhuma batida em meu currículo, continuo antevendo tudo,
com muita facilidade, mesmo com os reflexos não tão primorosos da infância, me
surpreendo ainda, com o meu cérebro me dando as coordenadas, frações de
segundos antes que algo improvável aconteça e da mesma forma que naquele dia no
bate-bate, eu olho pro rosto dos motoristas e vejo cada reação. Isso acontece
tanto no carro como na minha moto em alta velocidade. Não se preocupem que o
desejo do desafio não e mais forte do que a vontade de viver.
Rodar por aí nos nossos carrinhos bate-bate, achando que nada nunca vai
ferir o que está por dentro é a ilusão que a infância nos dá. A maturidade
deixa bem claro que a gente se fere sim, nas batidas da vida, nos confrontos,
mas olha, é muito divertido quando a gente é atingido e nada acontece, ou
quando a gente mira e não erra. Uma doce brincadeira.
Concluindo, nunca perdi, nunca fui “abatido”, até bem pouco tempo atrás,
quando perdi minha derradeira luta junto ao meu Pai, mas descobri que o
bom combate é aquele que deixa escoriações e a gente sai vivo, ganhando ou
perdendo, descobre que tem outra chance.

Achei legal a historia. Eu fui a praia pela primeira vez com 16 anos, pq meti as caras, peguei o sajotur na rodoviaria num domingo de manhã e caí em cidade ocian. Ao cinema eu fui com 12, assistir Greemilins... Já ao Play Center era o unico lugar onde eu ia sempre, pq havia excursoes do SESI. Me lembro que fiquei ansioso pra entrar dentro da EVA, lembra da Eva? Mas me decepcionei, pq na verdade eu achava que lá de dentro eu conseguiria ver alguma coisa que eu ainda desconhecia. rsrs
ResponderExcluirAbraços TT.: e FFrat.: