Como adjetivo é aquilo que não se pode vencer, conquistar pela força das armas: fortaleza inexpugnável.
No sentido figurado é o que não se pode vencer com razões, promessas ou ameaças: a virtude é inexpugnável.
Bonito dizer que uma virtude é inexpugnável temos sempre a atenção chamada pela corrupção e demais desmandos, pode até parecer que a maioria é assim, que as pessoas são em sua maioria más, mas, como diz a linda mensagem do comercial da coca-cola (os anti-imperialistas estão virando no túmulo), os bons são a maioria.
Santo Antonio dizia que em sua solidão, às vezes,
encontrou anjos que pareciam demônios e outras vezes, demônios que pareciam
anjos e perguntado sobre como distingui-los ele disse que só se pode saber quem
é quem quando esses vão embora. Se você ficar arrasado é porque era um demônio
e se a sensação for de leveza era um anjo. Então digam se sou anjo ou demônio
depois que a sensação tomar conta de vocês depois de lerem!
Trarei mais recordações que misturadas num
caldeirão de bruxa, com asas de morcego, pernas de salamandras e outros que
tais e espero deixar o mundo melhor do que estava com elas. Pouca coisa eu
espero, não é?
Vamos falar daqueles amiguinhos imaginários que
nossos filhos carregam até certa idade.
Pesquisa não faz mal a ninguém, então vai um
parêntese, na verdade um resumo misturado com o que entendi:
É perfeitamente
comum uma criança, filho único ou não, criar seus amigos imaginários, tanto os
invisíveis, como personificados em objetos e isto pode começar a ocorrer a
partir dos dois anos e é perfeitamente comum esta fase se estender até os seis
anos. Este artifício serve para varias coisas na criança em sua primeira
infância, desde compensatória para fugir de uma situação que a incomoda, até
servir como treinamento para terem realmente um amigo. Em minha opinião, as
crianças nesta idade, por estarem ainda entendendo o mundo e tendo sua visão
particular das coisas, ficam sós naquele mundo de descobertas fascinantes e não
têm como compartilhar. Isto é um rompante de criatividade e imaginação.
Voltando a vaca fria, na minha primeira infância e
desde que me lembro de ser gente (começa lá pelos seis meses de idade), com a
lembrança de estar no berço, que ficava num puxadinho ao lado da cozinha da
minha avó, lateral a escada (que caí, um pouco depois quando gatinhava) que
levava ao sobrado nos fundos, onde ficava a pequena malharia do meu avô.
Nesta lembrança meu avô Antônio, brincava comigo,
com uma felicidade incalculável e infelizmente impossível de expressar, o que
me fazia sentir a pessoa mais importante do mundo naquele momento, quando sem
aviso ou alarde, minha fralda se encheu, aquela massa quente e fétida pesou no
meu bumbum e eu ouvi alguém que não consigo me lembrar, dizer: fez coco de
novo? Meu mundo caiu e a felicidade foi embora, acho que sentei no berço me
sentindo a mais incomoda e inconveniente criatura.
Não é por menos que sou assim, ter essa como a
primeira lembrança, deixa qualquer criança traumatizada (rsrs).
Mas já passou e a Análise me fez superar isso, já
faz uns bons três meses.
Meus amigos imaginários não eram amigos, eram
mundos inteiros, personagens reais com atitudes imaginárias, gente que eu via e
não convivia, todos classificados como estando do lado do bem e do lado do mal.
Exemplos? Tá!
Os prendedores de roupa, numa época eram de
plásticos e todos se transformaram em carros de corrida, que alinhados um atrás
do outro disputavam uma corrida nas encostas de uma cordilheira. O azul era o
mocinho, talvez o Speed Racer, o
vermelho sempre era de uma personagem feminina, o preto o bandido corredor
inescrupuloso.
Os cachorros do bairro se alinhavam em dois
esquadrões e jogavam bola como nunca! O Bandit que era o cachorro do vizinho, o
seu Santana, era o mau personificado e jogava no time dos cães ruins, ele estava
do lado daquele cachorro que me atacou (era do Pedrinho acho), um dia que eu
corria na rua da casa da minha avó. Do lado dos bons estava o cachorro do meu
avô, que bom, lembrei enquanto escrevia, chamava Bingo e o Snuf (homenagem
póstuma tenho que escrever o nome completo: Zacari Snuf, o cão da vida do meu
Pai), tinha também o Brasinha do meu tio Jorge. Saiam sempre muitos gols, os
goleiros também eram cachorros e faziam cada defesa!
Tinham os momentos dos super-heróis com superpoderes,
eu era o SpisseReserves, com uma
roupa de blusa de couro, como a do patrulheiro Carlos e botas com capacete branco.
Engraçado, o nome veio do whisky que meu Pai tomava, o Drurys, que trazia no
rotulo “special reserves” engraçado
mesmo, porque eu nem fazia ideia do que era e nem tinha lido, só lembrava que
meu Pai pedia no bar do seu Pedro e falava todo pomposo, spissereserves!
Poderia ficar dias escrevendo sobre como eram
minhas aventuras espaciais, a minha fábrica de carros que tinha uma placa
escrita LCI. Da Cereji, um refrigerante que eu considerava minha champagne e acho q só eu bebi!
Vou concluir com a minha coleção de tampinhas, eu tinha
umas 100, pra ser preciso cheguei a 113. Por onde eu fosse, procurava tampinhas
pelo chão, até aí tudo normal não é, tem gente que coleciona até selos!
Mas o impressionante é que estas tampinhas
constituíam uma liga de futebol e cada uma delas em uma posição, com
características de chutes, principalmente os de virada, era incrível, eu
organizava os torneios e marcava tudo em papel, as estatísticas, os artilheiros
e os goleiros menos vazados, eu conduzia os times como num jogo de botão e às
vezes o meu time favorito perdia. Organizava seleção no fim de cada campeonato,
uma literal “Loucura”. Era completamente solitário, eu me trancava em mim e
vivia este mundo, não falava pra ninguém isso, tinha medo que me achassem
louco, imagina não é? Durou pouco esta fase, talvez dos dois até os dezesseis (rsrs).
Quando me casei quis rever minha coleção de
tampinhas que jazia num saco num fundo de uma gaveta, mas elas pobrezinhas,
estavam completamente enferrujadas e pretas. Morreram carbonizadas em algum
acidente de avião talvez!
As fantasias nunca me deixaram, o que faço é que
hoje elas ficam somente me fazendo ser criativo. Ufa, que bom!
Os jogos eletrônicos me recordam esta fase. No
computador, quem não acha mesmo que os personagens existam de verdade? Um
deles, que tive contato por acaso, foi o Total
Anihilation (aniquilação total), que jogávamos eu e o André, nos primórdios
da LCI. Meu Pai ganhou uma cópia deste jogo de mim e depois de relutar em jogar
esta porcaria, se apaixonou e passou anos jogando.
Muitas
vezes eu chegava à casa dele e ele estava montando, como ele dizia, sua defesa inexpugnável!
Hoje seria o aniversário de meu Pai, parabéns!
Faço um desejo em seu lugar então:
“Que tenhamos uma Defesa Inexpugnável em nossas
Virtudes, contra a força do vírus da corrupção moral e da facilidade de não se
pensar”.
Gil de novo pra vocês:
Tu, pessoa
nefasta
Faz o espírito obeso
Correr, perder peso, curar, ficar são
Faz o espírito obeso
Correr, perder peso, curar, ficar são
Solta com a
alma no espaço
Vagarás, vagarás, te tornarás bagaço
Pedaço de tábua no mar
Dia Após dia boiando
Acabarás perdendo a ansiedade, a saudade
A vontade de ser e de estar Livre
Vagarás, vagarás, te tornarás bagaço
Pedaço de tábua no mar
Dia Após dia boiando
Acabarás perdendo a ansiedade, a saudade
A vontade de ser e de estar Livre

Comecei a ler o texto e lembrei dele... Uma vez a defesa foi tão inexpugnável... Pena que ele se fechou do lado de fora!
ResponderExcluirMuitas Saudades
Só o Gil que acho não seria muito do agrado dele.. Talvez um Raul...
ResponderExcluirLembrei mais uma... Ele adorava falar "bonje moi" e "vinho liebfraumilch".....
ResponderExcluirMuitas, muitas e muitas saudades...
Total Anihilation, Total Anihilation Total, Anihilation, para sempre.
ResponderExcluirSempre jogo outros jogos, mas este é igual ao Atari que nunca sairá da minha cabeça.
Realmente foi um jogo que ficamos muitas horas jogando com varias estratégia chegamos a jogar aproximadamente 6 horas direto, Atacando e defendendo um exemplo de vida.
Você se prepara para atacar quando menos espera é atacado. ai tem que montar novas estratégias em outro lugar capturar energia e metal, para poder fabricar defesas inexpugnável....ou sair para o ataque.
Você tem que imaginar qual seria a estrategia do outro jogador ... tem que entrar na mente dele ele pensa de uma maneira você descobre ai ele muda a tática e assim vai.
Mas o que me recordo muito de nossas aventuras foi uma corrida de Kart Eu você Luis e o Estevão. Sempre um competindo com o outro (eu e o Luis). Mas este dia imaginei que fosse o Luis que estive na minha frente, sai na captura adrenalina a 1000 varias voltas e varias curvas perfeitas colocava o carrinho de lado e ele defendia fechava as curvas, mas em uma delas o carrinho rodou na pista ai passei de um lado e o kart que vinha atrás de mim do outro.
Demos muitas risadas, ai eu olho para o kart que vinha atrás não era o Estavão e sim o Luis em seguida vem o Estevão dando aquelas risadas e falou (P.Q.P.C) esta foi legal. Esta lembrança sempre esta na minha cabeça.
“A minha fábrica de carros que tinha uma placa escrita LCI. Da cereji, um refrigerante que acho q só eu bebi”, ainda bem que o nome LCI prevaleceu, porque cereji o que combina é só a rima, risadas...
ResponderExcluir“Que tenhamos uma Defesa Inexpugnável em nossas Virtudes, contra a força do vírus da corrupção moral e da facilidade de não se pensar” no words...
Acho que continuamos a brincar com nossos amigos imaginários por toda a vida. Ler esse texto me fez lembrar de uma de minhas conversas com ele...quando ele me contou que uma de suas lembranças mais felizes da infância foi quando ele fez sua fortaleza com pedaços de telhas, quando ele morava com a avó, fez sua própria aeronave, protegido...brincando, com seus amigos, sendo ele mesmo, sem se preocupar em quem estava vendo e o que estava vendo...
ResponderExcluirSinto falta dele, a saudade nunca tem fim...a gente aprende a conviver com ela...gostei de rever algumas expressões dele nas frases acima...tbm acho que ele gostaria mais de um Raul rsrsrrsrs
Bjs do Rato....