Histórias de Futebol - Aos meus amigos do Laranja
Mecânica FC (12/12/2004)
...Duas semanas atrás...
-Comprei aquele DVD que
vc tanto queria, aquele do Pele Eternamente.
Assisti duas vezes. O
Negrão, era endiabrado mesmo. Neste documentário, tem cerca de 400 gols do FERA
e jogadas geniais, vcs sabem como eu sou alucinado por futebol.
No sábado 11/12/2004,
acordei as 7:00 h, achei o meu velho meião azul, uma tornozeleira toda laceada,
uma caneleira de uns dez anos. O short azul pra combinar. Não lembrava nem como
amarrar o cadarço da chuteira de “sossaite”, que eu comprara há 4 anos,
quando achei que voltaria a ativa. A camiseta foi uma que uso pra jogar tênis,
bem atlética, coisa de frutinha mesmo. Fui pra campo.
Quando jogávamos no laranja
mecânica, eu tinha aquela ansiedade típica da juventude e especialmente daquele
magrelas espinhento, que se achava o último dos moicanos, o patinho feio
daquela estória sabe? Queria sempre fazer o melhor e acreditava naquilo, pena
que nem sempre dava certo. As poucas vezes que aquela tentativa do drible do
Mário Sérgio, a colocada no ângulo do Zico, o calcanhar do Doutor Sócrates, a
trombada do Serginho Chulapa funcionavam era maravilhoso, mas as vitórias da
equipe é o que sempre marcava, afinal de contas foi com estes amigos, que
carrego até hoje no meu peito, que vivi dos 14 aos meus 17 anos.
Estranho, naquele sábadoeu
entrei em campo feliz, sem pressões internas, só feliz. Como já se era de
esperar, em forma de bujão, um passe na canela, outro nas estrelas, chegando
sempre depois. Uma coisa não mudou, até se intensificou com os 39 anos de
vida... medo de cara feia nunca. Após varias tentativas e com alguns lampejos
de verdadeiro craque, umas matadas fantásticas, uns toques inteligentes, quase
no fim do massacre (do meu time é claro), um contra-ataque, bola espirrada na
meia-cancha, o último homem era um negão esperto que doía, a bola sobrou na
minha direção, já cansado demais pra correr do meio-campo até o gol adversário
senti meu espírito de moleque mesclando-se na experiência da idade, num reflexo
sutil deixei a bola passar sem domina-la, seria besteira isto, aquele crioulo
tava em cima de mim, com a surpresa da minha atitude o adversário rapidamente
se virou e já estava chegando na bola rápido e lépido, nesta altura passávamos
os dois do meio de campo e a nossa frente o gol para o qual eu atacava, e antes
que aquele pé vigoroso tocasse a bola, num toque que só os deuses do futebol
encontram num momento impossível, com meu pé direito apliquei o chapéu, a toca
mais bonita da minha história, o Crioulo só sentiu uma brisa que contornou a
sua face e a bola suavemente dormiu no meu peito, quando ela tocou o solo sem
nenhum quique, o adversário estava a uns dois metros de mim , resultado da
inércia de seu movimento.
No final do churrasco
alguns indo embora, alguns ficando, aproximou-se de mim um senhor, que depois
fiquei sabendo era o pai de um de meus funcionários, e me falou assim:
“Pouca gente deve ter
visto, mais eu vi o chapéu que você deu e era pra terminar o churrasco ali e
todo mundo ir pra casa feliz”
Tolkien (Luis Iuras) detalhando uma chapeleta, porem com emoção e conhecimento de um verdadeiro craque das "peladas".
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