segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Histórias de Futebol 12/12/2004


Histórias de Futebol - Aos meus amigos do Laranja Mecânica FC (12/12/2004)

...Duas semanas atrás...
-Comprei aquele DVD que vc tanto queria, aquele do Pele Eternamente.

Assisti duas vezes. O Negrão, era endiabrado mesmo. Neste documentário, tem cerca de 400 gols do FERA e jogadas geniais, vcs sabem como eu sou alucinado por futebol.

No sábado 11/12/2004, acordei as 7:00 h, achei o meu velho meião azul, uma tornozeleira toda laceada, uma caneleira de uns dez anos. O short azul pra combinar. Não lembrava nem como amarrar o cadarço da chuteira de “sossaite”, que eu comprara há 4 anos, quando achei que voltaria a ativa. A camiseta foi uma que uso pra jogar tênis, bem atlética, coisa de frutinha mesmo. Fui pra campo.

Quando jogávamos no laranja mecânica, eu tinha aquela ansiedade típica da juventude e especialmente daquele magrelas espinhento, que se achava o último dos moicanos, o patinho feio daquela estória sabe? Queria sempre fazer o melhor e acreditava naquilo, pena que nem sempre dava certo. As poucas vezes que aquela tentativa do drible do Mário Sérgio, a colocada no ângulo do Zico, o calcanhar do Doutor Sócrates, a trombada do Serginho Chulapa funcionavam era maravilhoso, mas as vitórias da equipe é o que sempre marcava, afinal de contas foi com estes amigos, que carrego até hoje no meu peito, que vivi dos 14 aos meus 17 anos.

Estranho, naquele sábadoeu entrei em campo feliz, sem pressões internas, só feliz. Como já se era de esperar, em forma de bujão, um passe na canela, outro nas estrelas, chegando sempre depois. Uma coisa não mudou, até se intensificou com os 39 anos de vida... medo de cara feia nunca. Após varias tentativas e com alguns lampejos de verdadeiro craque, umas matadas fantásticas, uns toques inteligentes, quase no fim do massacre (do meu time é claro), um contra-ataque, bola espirrada na meia-cancha, o último homem era um negão esperto que doía, a bola sobrou na minha direção, já cansado demais pra correr do meio-campo até o gol adversário senti meu espírito de moleque mesclando-se na experiência da idade, num reflexo sutil deixei a bola passar sem domina-la, seria besteira isto, aquele crioulo tava em cima de mim, com a surpresa da minha atitude o adversário rapidamente se virou e já estava chegando na bola rápido e lépido, nesta altura passávamos os dois do meio de campo e a nossa frente o gol para o qual eu atacava, e antes que aquele pé vigoroso tocasse a bola, num toque que só os deuses do futebol encontram num momento impossível, com meu pé direito apliquei o chapéu, a toca mais bonita da minha história, o Crioulo só sentiu uma brisa que contornou a sua face e a bola suavemente dormiu no meu peito, quando ela tocou o solo sem nenhum quique, o adversário estava a uns dois metros de mim , resultado da inércia de seu movimento.

No final do churrasco alguns indo embora, alguns ficando, aproximou-se de mim um senhor, que depois fiquei sabendo era o pai de um de meus funcionários, e me falou assim:
“Pouca gente deve ter visto, mais eu vi o chapéu que você deu e era pra terminar o churrasco ali e todo mundo ir pra casa feliz”


Um comentário:

  1. Tolkien (Luis Iuras) detalhando uma chapeleta, porem com emoção e conhecimento de um verdadeiro craque das "peladas".

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