terça-feira, 1 de novembro de 2011

Hércules


Estava lendo uma revista distribuída por uma associação a que pertenço e me chamou a atenção uma crônica que citava os doze trabalhos de Hércules e a jornada interna, com um chamado que ao ler me causou estranheza.
Em suma a chamada dizia que você só consegue realizar a jornada e conquista interna, depois de ter sua conquista exterior.
Fiquei pensando que o autor tivesse se confundido, imagina, primeiro temos que fazer o dever de casa, devemos estar cônscios de nós mesmos, para conquistarmos o mundo, como diria o ratinho daquele desenho O Pink e O Cérebro!
Lendo a reportagem, continuava tendo o mesmo pensamento de um erro do autor a cada linha, até que num determinado ponto, obviamente antes do fim, punckt plact zoom! Algo descolou das teias de aranha do interior da minha cabeça.
Claro e cristalino, obvio e massacrantemente correto. O mundo é um grande campo de provas, treinamos na vida, não com a cabeça no travesseiro. Conhecemos a natureza olhando as árvores, não lendo na enciclopédia. Conhecemos as pessoas comendo um quilo de sal não conversando num barzinho no sábado à noite. Eu estava comparando alhos com bugalhos, confundindo dever de casa com trabalho na escola! (Ai como isso dava trabalho, mas também deixarei para outra oportunidade esse conto!)
Primeiro colhemos os dados depois os tratamos estatisticamente, com a soma de todo conhecimento adquirido até então, para aí podermos criar nossas verdades. As experiências nos ditam o resumo, as vivências nos relatam os fatos. Queria escrever livros quando tinha 16 e só aos quarenta e poucos comecei a ter de verdade o que expressar, tudo fruto dos doze trabalhos que em parte cumpri.
Os trabalhos de Hércules eram histórias coletadas que deram um corpo completo à um mito, mas que começaram a ser consideradas como uma viagem mística ao interior, um retornar ao  divino, uma busca da imortalidade. Coisas curiosas, Hércules matou todos os seus mestres antes de sair para sua viagem de trabalho. Cruel, mas muito útil e simbólico. Se ele era o melhor, seus mestres não poderiam conte-lo se o fizessem ele não seria o melhor e só num desafio até a morte essa prova poderia vir. Além do que os inimigos nunca saberiam de seus pontos fracos.
O sentido em que Hércules andava para realizar sua simbólica viagem de trabalho era no sentido oposto a sequência do zodíaco, o que impressionantemente dá origem ao termo “conversão” que foi usado originalmente pelos gregos para dizer que uma pessoa passou a viver um caminho de volta ao criador, uma vida religiosa. Gostou?
Quanta cultura não? O que? Inútil? Tá bom, pensa assim!
Finalizando, isso me lembra aquele filme “A volta dos que não foram”
Quem não vai, nunca volta, a vida leva ao ápice da maturidade e então a viagem interior começa em busca do que não está do lado de fora. Esgotados os trabalhos e conquistado o reino externo, o homem pode fazer a viagem de retorno. Ao pó ou a Deus? Responda quem puder. 

Musica?
Olhando um cavalo bravo
No seu livre cavalgar
Passou-me pela cabeça
Uma vontade louca
De também ir
Para um cavalgar
Coração atrevido
Pernas de curioso
Olhos de Bem-te-vi
E ouvidos de boi manhoso
E lá vou eu mundo afora
Montado em meu próprio dorso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário