terça-feira, 25 de outubro de 2011

7:02


Tirem as crianças da sala!
Os de corações fracos, com o calibre das coronárias alterado, não devem prosseguir deste ponto, revelarei alguns mistérios do post mortem.
Há uns poucos anos, já se passariam, talvez, uns três anos da morte de meu Pai, tive um sonho daqueles que você lembra cada detalhe. Vou descrevê-lo de forma resumida e em seguida relatarei o que ocorreria na manhã seguinte ao sonho.
Estávamos em uma casa com muitos andares e numa espécie de sacada eu podia avistar o horizonte e era vermelho-alaranjado, quase uma mistura de anoitecer com início de tempestade, quase todos os meus sonhos são neste cenário. Por algum motivo que não me lembro, comecei a descer uma escada que ficava do lado externo da casa, talvez esta casa seja a do meu bisavô, que marcou minhas primeiras lembranças como ser humano, mas isso não importa tanto agora. Descendo o primeiro lance, a escada me levava agora para um porão, nada assustador, era grande e bem iluminado, lá estava meu Pai, de capa branca de cientista maluco, com seus cabelos fartos grisalhos. Mexia em algum artefato, uma mistura de rádio antigo com mesa de laboratório de química, ele nem se virou pra falar comigo, estava bem compenetrado e tinha uma lousa com algumas anotações em giz. Ele me dizia (era pra mim mesmo, porque ele virou o rosto e olhou pra mim como se me esperasse), não importa que horas você saia, sempre chega as 7:02 e repetia me mostrando algo que era como uma simulação de caminhos e pontos de partida, como se eu estivesse lendo a sua mente, naquele momento me eram claros, mas não sei precisar como eu visualizava as simulações. Repetiram-se por umas sete vezes (conta de mentiroso?) as simulações e sempre assim, ele finalizava,
 -não importa a hora que você saia, chegará sempre as 7:02.
Outras coisas aconteceram neste sonho, mas como isso já foi há uns três anos, não lembro com tantos detalhes. Acordei, graças a Deus não é? Tomei meu café e contei a história pra Cris. Como sempre, depois de tantos anos contando sonhos e com os detalhes ficando na cabeça e confundindo até mesmo quem conta, ficou por isso.
Quando fui sair pro trabalho, lembrei-me do estranho 7:02 e parei pra pensar se eu não estaria sugestionado com o meu horário de sempre, mas percebi que não, naquela época meu horário de chegada era umas 7:15. Claro que também percebi que naquele dia eu estava saindo mais cedo de casa.
No caminho, que demora aproximadamente vinte minutos, durante algumas vezes me lembrei do sonho e tentei adivinhar onde eu estaria passando naquele horário, mas sabe como é de manhã, a cabeça pensando mil coisas, o sono preenchendo os espaços e quando me dei conta, já estava subindo o ultimo trecho para chegar à fábrica e já eram 7:03, perdi o local exato e fiquei me culpando, teria sido na ponte, ou no cruzamento, qual teria sido o recado que perdi?
Cheguei à fábrica, chequei se os vidros estavam fechados, olhei para o relógio do carro e 7:04, tá bom, só um sonho sem sentido. Quando desliguei a chave e o display desapareceu da minha frente me veio à cabeça, “o relógio está sempre adiantado”, imediatamente liguei o celular e..................................................................................................................7:02

Lembro-me que naquele dia, desviei de caminhões, mudei meu trajeto habitual, estava fora do meu horário e simplesmente isso não importou, cheguei exatamente no horário que meu Pai e suas simulações disseram no sonho!
Senti-me reconfortado, com a visão de algo sobrenatural, nada seria mais impactante na minha mente do que números, e olha que números em sonhos são coisas raras, então a melhor maneira de me mandar um recado em que eu acreditasse seria essa. Ou, foi só coincidência, daquelas 1:1.000.000. Mas a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza!
Vá lá, esta não foi tão terrível e assustadora assim, principalmente pra você que está lendo e não pra mim que me arrepiei inteiro na hora em que vi as horas no celular.
O fato é que o ser humano precisa, desde os primórdios de sua existência, acreditar no criador incriado. Acreditar que a vida não acaba aqui, acreditar que exista uma razão além da proliferação da espécie para respirarmos, nos alimentarmos.
Se você não acredita, espera só que eu vou puxar seu pé à noite... rs



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