Hoje
é 23 de Dezembro de 2011, vinha para o trabalho, um meio-pau, como
costuma-se dizer de um dia de trabalho
em que só trabalhamos metade do dia..blá blá blá blá blá.
Achei uma pasta de musicas no pen drive do carro do Fredie Mercury, pra ser mais machão,
poderia chamá-lo de Alfredo, (nossa, destruí o camarada agora!) tocou uma
musica que gosto, The Great Pretender.
Lembrei-me, dos estudos de inglês (língua,
aliás, que por algum trauma que um dia me livrarei, tenho dificuldades enormes para
falar), da expressão False Friends e do vocábulo pretender, que por mais que pareça significar pretender, na verdade
quer dizer fingir, enganar, disfarçar, e coisas assim dissimulando tudo. Pra
clarear, copiei uma explicação que achei pronta, melhor do que inventar a roda:
“Os False
Friends (Falsos cognatos) são termos normalmente derivados do latim e que
apresentam forma semelhante em Português e Inglês, mas significados
diferentes”
Divagando
na filosofia, pensei em como disfarçamos coisas, mas por que, todo mundo faz
isso de diversas formas? Muitas vezes para autoproteção, outras por costume, a
maioria das vezes só por ter autoimagem diferente da maioria das pessoas e às
vezes por mau-caratismo mesmo.
Sem
chance de não me lembrar de algo que li muito jovem, sobre a persona, aquela da
psicologia e que também é a que significa máscara teatral. Sabia que em Veneza
as máscaras eram usadas para que os nobres pudessem se misturar as pessoas
comuns e curtir o carnaval nas ruas e eram obrigatórias?
Uma
parte das coisas que queria dizer, já disse, um pouco antes, quando divaguei.
Nem sempre é necessário ter as respostas, mas sempre é necessário fazer as
perguntas.
O
ser humano nasce sem saber-se Um, somos na verdade um organismo, com trilhões
de células individuais, fazendo funções coletivas, uma complexidade, mas a consciência
do EU, vai se formando e num momento compreendido na mais tenra infância,
desejamos ser um individuo e passamos a reagir de acordo com uma imagem que
criamos de nós mesmos. Reagimos numa situação como se tivéssemos ódio, em outra
situação somos amorosos, mas tudo em função desta máscara que construímos. A máscara
do chato, do palhaço, do coitado, do intelectual, do faz tudo, do indolente,
muitas máscaras, às vezes temos uma pra cada ocasião, mas quando mudamos pouco
de máscaras somos chamados de uma pessoa de personalidade.
Pra
que serve isso? Na sétima série havia um rapaz na minha sala que tinha cara de
bravo, era sempre sério, marrudão mesmo, um dia estávamos jogando bola num
terreno baldio e o vizinho do terreno foi dizer que não podíamos jogar lá e ele
encarou o homem e disse que ninguém nos tiraria de lá. Bom, hoje em dia ter
crianças retardadas assim é mais comum, mas há trinta e tantos anos atrás,
respeitávamos os mais velhos e um moleque de 12 anos brigando contra adultos
pelo direito que achava que tinha não era tão comum. Em resumo, achei que eu
deveria ser que nem ele, mas nunca consegui, eu era muito maleável, acho que
não tinha personalidade, acho que não tinha nada que marcasse para aquelas
pessoas ao meu redor, sei lá, só sei que encontrei com este rapaz na fase
adulta, ele trabalhando numa praça de pedágio, conversamos rapidamente e fiquei
sabendo que ele não teve oportunidade de continuar os estudos, continuava com
aquela cara fechada, essa característica talvez não o tenha levado a lugar
algum, sabe-se lá.
Olhando
pelo olhar adulto, provavelmente fui uma pessoa que desenvolveu a personalidade
mais lentamente, acredito que não saber exatamente quem eu era me deu múltiplas
possibilidades, mas só consegui usufruir disso muito depois da infância e
continuo a entender quais máscaras usar. Hoje, por “increça que parível,” não me vejo mais escolhendo máscaras, acho
que já foi tudo fundido na minha cara e não tem grandes novidades para fora, só
para dentro que continua tudo mudando todo dia.
Será
que sem máscaras seríamos grandes moluscos informes? Coisas sem graça, ou
seríamos criaturas em paz? Existe evolução em coisas iguais? O mundo é feito de
criaturas iguais? Deus é amorfo?
Pensei
agora: as máscaras nos protegem, melhoram ou pioram? O importante deve ser não
estar contido nela, devemos ser como os nobres em Veneza, nos esconder para
sermos iguais, e sentirmos a vida aqui e agora, mesmo sabendo que estamos
evoluindo para um mundo muito superior, afinal o lado de lá é do lado de lá!
Outra pergunta que me veio: Se
estou evoluindo tanto, por que me deu torcicolo e não passa tão rápido quanto
eu queria? Sou o não um ser tããão
evoluído. Tenha paciência não é?









