terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Máscaras



Hoje é 23 de Dezembro de 2011, vinha para o trabalho, um meio-pau, como costuma-se  dizer de um dia de trabalho em que só trabalhamos metade do dia..blá blá blá blá blá.

Achei uma pasta de musicas no pen drive do carro do Fredie Mercury, pra ser mais machão, poderia chamá-lo de Alfredo, (nossa, destruí o camarada agora!) tocou uma musica que gosto, The Great Pretender.


Lembrei-me, dos estudos de inglês (língua, aliás, que por algum trauma que um dia me livrarei, tenho dificuldades enormes para falar), da expressão False Friends e do vocábulo pretender, que por mais que pareça significar pretender, na verdade quer dizer fingir, enganar, disfarçar, e coisas assim dissimulando tudo. Pra clarear, copiei uma explicação que achei pronta, melhor do que inventar a roda:
“Os False Friends (Falsos cognatos) são termos normalmente derivados do latim e que apresentam forma semelhante em Português e Inglês, mas significados diferentes”

Divagando na filosofia, pensei em como disfarçamos coisas, mas por que, todo mundo faz isso de diversas formas? Muitas vezes para autoproteção, outras por costume, a maioria das vezes só por ter autoimagem diferente da maioria das pessoas e às vezes por mau-caratismo mesmo.

Sem chance de não me lembrar de algo que li muito jovem, sobre a persona, aquela da psicologia e que também é a que significa máscara teatral. Sabia que em Veneza as máscaras eram usadas para que os nobres pudessem se misturar as pessoas comuns e curtir o carnaval nas ruas e eram obrigatórias?



Uma parte das coisas que queria dizer, já disse, um pouco antes, quando divaguei. Nem sempre é necessário ter as respostas, mas sempre é necessário fazer as perguntas.

O ser humano nasce sem saber-se Um, somos na verdade um organismo, com trilhões de células individuais, fazendo funções coletivas, uma complexidade, mas a consciência do EU, vai se formando e num momento compreendido na mais tenra infância, desejamos ser um individuo e passamos a reagir de acordo com uma imagem que criamos de nós mesmos. Reagimos numa situação como se tivéssemos ódio, em outra situação somos amorosos, mas tudo em função desta máscara que construímos. A máscara do chato, do palhaço, do coitado, do intelectual, do faz tudo, do indolente, muitas máscaras, às vezes temos uma pra cada ocasião, mas quando mudamos pouco de máscaras somos chamados de uma pessoa de personalidade.

Pra que serve isso? Na sétima série havia um rapaz na minha sala que tinha cara de bravo, era sempre sério, marrudão mesmo, um dia estávamos jogando bola num terreno baldio e o vizinho do terreno foi dizer que não podíamos jogar lá e ele encarou o homem e disse que ninguém nos tiraria de lá. Bom, hoje em dia ter crianças retardadas assim é mais comum, mas há trinta e tantos anos atrás, respeitávamos os mais velhos e um moleque de 12 anos brigando contra adultos pelo direito que achava que tinha não era tão comum. Em resumo, achei que eu deveria ser que nem ele, mas nunca consegui, eu era muito maleável, acho que não tinha personalidade, acho que não tinha nada que marcasse para aquelas pessoas ao meu redor, sei lá, só sei que encontrei com este rapaz na fase adulta, ele trabalhando numa praça de pedágio, conversamos rapidamente e fiquei sabendo que ele não teve oportunidade de continuar os estudos, continuava com aquela cara fechada, essa característica talvez não o tenha levado a lugar algum, sabe-se lá.
Olhando pelo olhar adulto, provavelmente fui uma pessoa que desenvolveu a personalidade mais lentamente, acredito que não saber exatamente quem eu era me deu múltiplas possibilidades, mas só consegui usufruir disso muito depois da infância e continuo a entender quais máscaras usar. Hoje, por “increça que parível,” não me vejo mais escolhendo máscaras, acho que já foi tudo fundido na minha cara e não tem grandes novidades para fora, só para dentro que continua tudo mudando todo dia.

Será que sem máscaras seríamos grandes moluscos informes? Coisas sem graça, ou seríamos criaturas em paz? Existe evolução em coisas iguais? O mundo é feito de criaturas iguais? Deus é amorfo?

Pensei agora: as máscaras nos protegem, melhoram ou pioram? O importante deve ser não estar contido nela, devemos ser como os nobres em Veneza, nos esconder para sermos iguais, e sentirmos a vida aqui e agora, mesmo sabendo que estamos evoluindo para um mundo muito superior, afinal o lado de lá é do lado de lá!

Outra pergunta que me veio: Se estou evoluindo tanto, por que me deu torcicolo e não passa tão rápido quanto eu queria? Sou o não um ser tããão evoluído. Tenha paciência não é? 




segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Evanescente



Poderia definir alguma coisa evanescente, comparando-a como uma coisa que dura tanto quanto a efervescência de um sal de frutas quando jogado à água, mas isso seria muito simples pra mim!

A primeira recordação minha de datas foi quando estava no primeiro ano na escola Tio Patinhas, na Rua Francisco Fett em São Paulo. Deveria ser um Fevereiro, lembro-me que no dia anterior o dia estava nublado e naquele dia estava ensolarado. Comecei escrevendo o cabeçalho, do lado de um solzinho que tinha acabado de desenhar, tudo copiando da lousa, que a professora tinha acabado de escrever:

São Paulo, 23 de Fevereiro de 1972. O dia está ensolarado.

Percebi que mudava o numero dois do ano e depois daquele dia comecei a me atentar para o ano corrente e nunca mais deixei de ser escravo do tempo.

Em 1972, foi o ano em que meu Pai trabalhava na Bahia e no fundo de casa, numa laje inacabada aconteciam os bailinhos que minha Tia Neusa e seus amigos organizavam lembro-me de nomes, Gigi, Piloto e Dirce, Preto e sua namorada, sei lá acho que Denise, se minha tia ler isso, ela deve voltar ao passado e me mandar o nome da namorada do Preto, que, aliás, era muito branco. Lembro-me da frase na parede BLITZ OF LOVE. Que meu Pai sabiamente e por conhecer um pouco de alemão me explicou que era a conjunção de uma palavra em alemão com uma em inglês e que significava algo como batida de amor, ataque de amor, coisa assim. Agora sei que Blitz significa relâmpago, como querendo dizer algo que chega muito rápido, avassalador. Tinha luz negra e um encerado preto que deixava o ambiente escuro e um globo de isopor cheio de espelhinhos quadradinhos. Este globo ficava no compartimento da direita de quem entrava e logo em baixo existia um desenho de uma cripta, acho que foi o Piloto que desenhou. Eu olhava aquelas luzes todas, os reflexos do globo da luz negra e viajava como se estivesse indo para o espaço sideral, ficou mais que lembranças daquele tempo e lugar, ficaram sonhos de conquistas.

Depois de uns anos, lá nesse fundo de casa existiu a oficina do Nardo, filho do Seu Pedro, dono do bar em frente e que no futuro viria a ser meu padrinho de crisma. Lá conheci uma coisa que me encantou, a pedra de carbureto.
Um Gerador de acetileno é um cilindro com uma cesta onde se coloca o carbureto, que é uma pedra que quando em contato com água, produz o tal gás (CaC2 + 2 H2O -> C2H2 + Ca(OH)2) 


Lembro-me que as pedras que saíam da cesta do gerador eram extremamente quentes e ainda exalavam o gás, pela minha curiosidade alguém que não me lembro, pela primeira vez pegou uma pedra de carbureto e colocando no chão derramou água e ateou fogo. Foi o máximo, uma pedra fazendo fogo e o que sobrou foi um lodo, um nada, um pó que por mais que eu quisesse jogar água de novo, não pegava mais fogo.
Não sabia de onde vinham as pedras, nunca via, só sabia que por mais que tivéssemos pedras elas sempre acabavam e imaginei se as jazidas dessas pedras um dia acabariam e não mais conseguiríamos soldar os carros da oficina e ninguém mais repararia carros no mundo.
Na minha “mente brilhante” neste momento, comecei a tentar solucionar isso e meus heróis imaginários passaram a usar uma arma que eu cientista inventei e que trazia acima do corpo da arma um invólucro de vidro que continha um líquido de várias cores dependendo da intenção da arma e variava de azul, vermelho ao incolor. Este líquido rendia tanto que não seria necessário recarregá-lo mesmo que a batalha fosse muito longa.
 Agora sei de onde a ideia saiu, daquelas máquinas de sorvete americano que tinha no caminho entre minha casa e a dos meus avós, na estrada do Oratório. Quando o sorvete ia surgindo no bocal inferior da máquina eu ficava observando o líquido e nunca via o danado baixar, acho que por isso tinha aquele produto como inextinguível. Não entendia naquela época que o sabor ia também embora tão rápido porque os espaços na matéria para este produto eram maiores ainda do que nos outros. 


Mas...

Nada é inextinguível. Até as lembranças vão se indo e o sentimento parece que se vai com elas. Parece mesmo que alguma coisa fica e não consigo entender onde se armazena, se a separação entre as memórias e os sentimentos ocorre na mente física ou se em algum lugar daquilo que chamamos alma existe uma reserva daquilo que não pode ser só raciocinado.
A cena de escrever o cabeçalho no caderno em 1972 foi há mais de quarenta anos e não me lembro do caderno nem das letras materialmente, mas lembro do sentimento da manhã de sol e da ânsia por conhecer mais. Sabe, continuo tendo esta vontade de conhecer mais e sentir mais o sol nos meus ombros (sunshine on my sholders!).

Algumas músicas trazem coisas que não precisam de complemento, tem uma do Biquíni Cavadão, se chama Descivilização, que diz tanto sobre a perenidade da vida que vou copiar a estrofe sem querer e necessitar explicar:

Na chuva dos dias, meu nome vai fugir
Escorrer pela terra, até que as plantas o suguem
Aí ele será uma presença inaudível em todo lugar
Como algo tão notório e que, por isso, não precisa se falar
Sol sem brilho, luz sem cor
Descivilização
Porque a vida é passageira; e a morte, o trem.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Olho que tudo vê?


Anotem aí: Faça um molho rose, com tomate, creme de leite, ketchup e mostarda. Deixe quentinho na panela. Pique 1 cebola em cubos, pique 6  castanhas do pará e umas 150 gramas de queijo bola. Nestas picações, faça-as de modo irregular, o efeito desejado é esta irregularidade. Frite a cebola, no teflon é bom, até começar a corar e misture a castanha, deixe ficar tudo escuro e oleoso. Despeje no molho rose. Misture o queijo no final. Sirva com arroz branco, discreto no tempero e hambúrgueres de carne sabor picanha, se não tiver serve uns bifes de picanha na chapa mesmo, fazer o que? Pronto! Vinho branco vai bem, o tinto perderia o encanto e a água de coco ganha um especial sabor quando ingerida com esta receita.
O que tem a ver?  Procure quando concluir a leitura do texto, ou será só porque quis guardar essa invenção de sábado no almoço?

Vou viajar para um passado longínquo para buscar mais respostas (ou seriam mais perguntas?).

Antes do Deus do antigo testamento ser Oni-tudo, ele era só o Deus da montanha. No período lá perto de 1300 AC, quando falava diretamente com Moisés, morava no alto do monte Sinai. Por volta de 597 AC, no tempo do exílio para Babilônia por Nabucodonosor, que a ideia de onipresente passou a ser difundida, de forma a manter a fé Judaica mesmo longe da casa de seu Deus, então os salmos que contemplam Deus das alturas vem primeiramente da visão do Deus da montanha.

Quando eu tinha entre 6 e 8 meses, minha primeira lembrança consciente deste mundo, Eu num berço colocado na área adjacente a cozinha da casa de meus avós maternos e segurando na guarda do berço. Recebia gracinhas e carinhos do meu avô Antônio, com a barba espinhuda que me fazia cócegas. Lembro-me de que éramos dois bobos encantados um com o outro, rindo sem parar, até que alguém passou e disse: - “encheu a fralda de novo?”, só podia ser minha avó Emília, que foi criada e sempre criou os filhos para verem algo negativo em tudo, acho que um jeito de sobreviver diante da miséria que abatia a grande maioria dos imigrantes italianos do começo do século XX.
Desci imediatamente da guarda e me lembro de uma profunda tristeza que me levou ao choro.

Uns dois anos mais tarde, estava na parte superior da casa que morava, uma laje com um quarto, no fundo da casa de meus avós, aquilo veio a ser uma malharia, mas não me lembro quando isso foi. Eu tomava sol e era entre julho e agosto, pois ventava frio a pesar do sol forte. Pressenti a formação de um redemoinho de vento, daqueles que minha avó dizia serem a origem dos sacis. Não tive medo como deveria por estar só e ter sido condicionado a ter medo de sacis, além de todas as outras coisas. A formação aconteceu, o frio nas minhas costas, estava eu virado para um canto entre 3, primeiro a poeira subindo depois todos os restos de papéis e folhas espalhados pela laje se juntaram e finalmente o serpentear do ciclone até tudo se dispersar sobre o telhado e ao longe.

Perguntei-me, com essa tenra idade: de onde eu vim, como a pouco eu não conhecia estas pessoas que tem tão pouco a ver comigo? Por que eu não me vou com o vento como tenho vontade? Este é um mistério mesmo pra mim, de onde vieram estas perguntas e o porquê delas, acho que ainda não sei responder plenamente, mas vou tentar.

Um ponto adimensional contendo toda a Sabedoria do Universo se moveu, indo para um outro ponto, usando a Força. Neste momento esta reta era a primeira representação do equilíbrio entre o negativo e positivo, opostos se completando, mas lá no Genesis, e “Deus viu que era bom”, como Ele poderia ver sem se afastar da criação e se deslocando contemplou a Beleza formando um triângulo que passou a determinar um plano. Toda a tridimensionalidade e o Universo ao qual contemos (não ao que somos contidos) surgiram e como se o tempo não existisse para a Sua infinita duração de existência, pode ver toda a obra do começo ao fim, sendo então o Alfa e o Omega!
Acho que a Santíssima Trindade realmente formou o “nós” e todos somos este “nós” e por sermos parte criatura e parte criadores, não vislumbramos a obra toda, não conseguimos pela nossa perene existência, olhar além de um pouco tempo.

Estando andando em uma quadra de ruas, quando chegamos à esquina, podemos ver um caminho enorme para trás e muito pouco a nossa frente, ao dobrarmos a esquina, não vemos mais nada para trás e todo um caminho a nossa frente. O tempo parece ser dividido assim, estamos sempre vendo em parte.
Quando nos elevarmos, veremos a quadra toda, a cidade toda, o planeta todo, a criação toda, indo com o vento, sentindo o sopro divino a nos embalar e transportar.

Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo o cuidado
Meu amor

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Todo Poderoso


Falei em energia há pouco tempo e me peguei pensando que só entender a energia em si, não realizava nada, então comecei a pensar no controle da energia.

Lembro-me que quando eu tinha uns 7, talvez 8, fiz o catecismo e me falaram que Deus era onisciente onipresente e onipotente:

- Onisciente: Aquele que possui todo o conhecimento, toda a ciência.
- Onipresente: Aquele que está presente em toda parte.
- Onipotente: Aquele que pode todas as coisas.

Outra coisa que aprendi é que o homem é a imagem e semelhança de Deus.

No último dia da criação, disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26). Então, Ele terminou Seu trabalho com um “toque pessoal”. Deus formou o homem do pó e deu a ele vida, compartilhando de Seu próprio fôlego (Gênesis 2:7)

Tem sido notória a evolução da humanidade, principalmente com a net. O homem está chegando a um nível de Onisciência fantástico. Se pensarmos bem, esse saber de tudo que se quiser este compartilhamento de informações está criando fora de nós uma consciência coletiva cibernética.

Quando mudei pra Jundiaí em 1979, tínhamos os eletrodomésticos em 110 V e aqui na roça a tensão era e ainda é 220 V. Eu tinha 13 anos e queria nesta fase da minha infância e pré-adolescência, encontrar algum superpoder que me diferenciasse dos demais e da minha auto-imagem de inferior socialmente, aí ficava olhando para o ponteiro do transformador da televisão e usando minha força da mente, queria move-lo para cima e para baixo, as vezes por coincidência acontecia. Outra que eu tentava era erguer pedras, muito antes do mestre Yoda. Graças a esta vontade implícita viva querendo entender o porquê das coisas fisicamente e até cheguei uma vez a tentar uma experiência com um prego e uns fios numa tomada, mas o anjo da guarda me impediu de ir até o fim e chegando meu pai à noite em casa, lhe contei a minha brilhante ideia, da qual ele me respondeu que era muito inteligente minha descoberta, mas o que eu queria fazer já existia e se chamava motor elétrico. (Na verdade Tales em 641 AC já observara a eletricidade estática magnetizando corpos com atrito – a magnetização é o principio do motor elétrico).
Depois de alguns anos descobri que a verdadeira força da mente é aquela que impulsiona nossos braços ao trabalho e acaba movendo o mundo.

O poder em manipular as informações tanto quanto o poder em manipular a energia é a meta do alquimista.

O Segredo do grande poder no relacionamento humano é reconhecer a divindade dentro de nós e olhar nos olhos sem o medo da reprova, saber que nada se tem a temer a não ser tentar esconder a fraqueza. Sou fraco em tantas coisas, mas tenho uma força que me surpreende no momento em que olho pras coisas e pras criaturas com o olhar de Deus as criando. Sou o Todo Poderoso neste momento, fantástico isso, tentem!

Como proclamava Sócrates, as maiores virtudes são a beleza a bondade e a justiça.
Então valorizemos a beleza da criação, sejamos bons e pratiquemos a Justiça.

Por falar nisso, quem são o “Nós” na frase do Gênesis? Santíssima Trindade? Ai ai ai! Nunca me explicaram direito isso, ou pelo menos nunca me convenceram.

Façamos uma salva com Cinco palmas a isto então!


Em homenagem a minha mãe que chorava de saudades do meu pai ouvindo esta música!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Oração - A música!



Depois de escrever uma coisa muito densa e de difícil digestão se absorvida a noite, vai uma levíssima. Essa música é um mantra, se você ouvir umas três vezes seguidas, te garanto que vai ficar uns dois dias com ela na cabeça. O que é mantra mesmo?

Mantra (do sânscrito Man =  mente e Tra = alavanca)

Meu amor essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Uma última tentativa, mas só que não uma tentativa desesperada de quem vai perder, com interesse de receber, mas uma tentativa de quem só tem amor pra dar e nenhum reconhecimento pagaria isso.

Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa
O coração não é tão simples como coisas que você compra e conquista com força, tem que ter muito jeito, ou ser somente o que você é. Leia de novo a crônica “Coração” que o entendimento vem.


Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Alusão a um tamanho gigantesco, talvez inconcebível, capaz de conter o amor ou de caber o que se acumularia vivendo três vidas em sequência, conhecendo três mundos distintos, com três realidades totalmente diferentes, com três conjuntos de paixões, decepções e de amores verdadeiros.


Cabe uma penteadeira
Isso merece um capitulo só dele. Alguém que já teve uma penteadeira no quarto sabe o que é. Meus Pais tinham uma no deles e lembro-me perfeitamente. Gavetas, uma base como uma mesa e um espelho, que girava em duas atarraxas que se espanadas, com o tempo, permitiam que o espelho tombasse, se detendo só por tocar na parede, aí ele ficava sempre fora de prumo. Muito charmoso com uma moldura toda rebuscada, cheia de voltas e caracóis, pode-se dizer até barroco.
O que tem de mais?
Era aquilo que te refletia, se olhava praquilo antes de ir enfrentar o mundo, ao se acordar. Quantas milhares de vezes pensei se era bonito ou feio, se teria sucesso, se seria aceito? Um reflexo do que eu queria ser. Muitas pessoas devem ter desistido dos sonhos em frente a uma penteadeira, muitas decidiram não mais viver, mas garanto que a grande maioria ergueu a cabeça, empinou o nariz e disse eu posso e consigo, prefiro pensar assim.

Cabe nós dois
Poxa, não vejo explicação pra esta frase, claro que cabem acho que foi só pra rimar.

A vida é boa assim, nem tudo pode ou deve ser explicado, mas recomendo que seja vivido com ou sem moderação!
Mantra procês!!

Oração

A Banda Mais Bonita da Cidade

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Energia


Resolvi aqui no trabalho, um daqueles problemas que só o House (da série de tv do mesmo nome) consegue, naquele instante de intuição!
Poxa, me senti transbordando de energia e disposição. Epa! Energia e disposição?
Energia: Da origem em grego “ergos” que significa trabalho, tudo o que modifica ou coloca em movimento ou deforma um corpo, porém só o conceito físico de trabalho não exprime o que seja energia.
Imaginemos um átomo, que é a menor partícula organizada eletricamente no universo. A imensidão de “nada” existente entre o núcleo e a eletrosfera, fazendo com que a matéria tenha nas suas entranhas, um enorme e descomunal vazio!
Imagine isso, a massa do núcleo de um átomo é quase duas mil vezes maior que a massa dos elétrons que a circulam, mais além, a estrutura do átomo, dimensionalmente, é como se toda massa estivesse no núcleo que tem o tamanho de uma bola de bilhar e a camada onde os elétrons orbitam, estivessem na altura de um prédio de 100 andares e entre estes dois pontos notáveis não existe nada além do vácuo.
Que tipo de energia é esta que mantém coeso nosso mundo, a distâncias infinitamente longas sem nenhum contato material?
As teorias de unificação dos campos um dia concluirão isso, mas por enquanto o que mais se aproxima são modelos matemáticos de 16 dimensões, impossíveis de se conceber na nossa mente, ao ponto de sermos hoje, só uma probabilidade de existirmos, juntamente com todo resto de matéria no universo conhecido.
Talvez daqui algum tempo, descubramos que tomar sopa com uma colher é uma enorme sorte, visto que os espaços vazios na matéria são tão grandes que a sopa poderia facilmente fluir pelos átomos da colher se um pequeno desvio de frequência acontecesse entre ambos.
Deixa isso para outra discussão.
O Importante nisso é que toda energia já existe, ela simplesmente, ou complexamente, se transforma o tempo todo e de acordo com uma grandeza chamada entropia, um dia toda forma de energia se transformará em calor e aí acho que teremos o conhecimento de como é o inferno de verdade, um enorme mundo parado e quente.
Sempre que convertemos uma energia em outra, temos um resíduo de calor e daí esta teoria e daí que todas as tentativas de se construírem moto-contínuos, sempre falharem.
Mas, na contramão da física, existe uma coisa que quanto mais à gente dá, mais aparece, porém igualmente a energia da discussão acima, provoca sempre calor.
É a solidariedade, que vem sempre acompanhada de um sentimento bem comum e com o significado vindo de forma menos completa do que poderia ser se explicada por cientistas, que é o AMOR (em muitas formas de ser, um dia também faço uma teoria da unificação dos “amores” – Eros, ágape,...).
Com minha ENORME modéstia, acredito que estou chegando muito perto de relacionar esta energia que mantém este nosso universo coeso com o amor, que primeiramente deve ter sido emanado de nosso criador altíssimo.
Vou tentar uma primeira equação não se espantem.
E=m.c²
Onde:
E= Espaguete
m=Massa
c²= Carinho ao quadrado
Pensam que estou de brincadeira não é?
Como sua nona transformava ingredientes puramente físicos em um alimento para o corpo e para a alma, naqueles deliciosos almoços de domingo?
Pura Alquimia, pura meus caros.
“É chato chegar

A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante

Se hoje eu sou estrela

Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Hércules


Estava lendo uma revista distribuída por uma associação a que pertenço e me chamou a atenção uma crônica que citava os doze trabalhos de Hércules e a jornada interna, com um chamado que ao ler me causou estranheza.
Em suma a chamada dizia que você só consegue realizar a jornada e conquista interna, depois de ter sua conquista exterior.
Fiquei pensando que o autor tivesse se confundido, imagina, primeiro temos que fazer o dever de casa, devemos estar cônscios de nós mesmos, para conquistarmos o mundo, como diria o ratinho daquele desenho O Pink e O Cérebro!
Lendo a reportagem, continuava tendo o mesmo pensamento de um erro do autor a cada linha, até que num determinado ponto, obviamente antes do fim, punckt plact zoom! Algo descolou das teias de aranha do interior da minha cabeça.
Claro e cristalino, obvio e massacrantemente correto. O mundo é um grande campo de provas, treinamos na vida, não com a cabeça no travesseiro. Conhecemos a natureza olhando as árvores, não lendo na enciclopédia. Conhecemos as pessoas comendo um quilo de sal não conversando num barzinho no sábado à noite. Eu estava comparando alhos com bugalhos, confundindo dever de casa com trabalho na escola! (Ai como isso dava trabalho, mas também deixarei para outra oportunidade esse conto!)
Primeiro colhemos os dados depois os tratamos estatisticamente, com a soma de todo conhecimento adquirido até então, para aí podermos criar nossas verdades. As experiências nos ditam o resumo, as vivências nos relatam os fatos. Queria escrever livros quando tinha 16 e só aos quarenta e poucos comecei a ter de verdade o que expressar, tudo fruto dos doze trabalhos que em parte cumpri.
Os trabalhos de Hércules eram histórias coletadas que deram um corpo completo à um mito, mas que começaram a ser consideradas como uma viagem mística ao interior, um retornar ao  divino, uma busca da imortalidade. Coisas curiosas, Hércules matou todos os seus mestres antes de sair para sua viagem de trabalho. Cruel, mas muito útil e simbólico. Se ele era o melhor, seus mestres não poderiam conte-lo se o fizessem ele não seria o melhor e só num desafio até a morte essa prova poderia vir. Além do que os inimigos nunca saberiam de seus pontos fracos.
O sentido em que Hércules andava para realizar sua simbólica viagem de trabalho era no sentido oposto a sequência do zodíaco, o que impressionantemente dá origem ao termo “conversão” que foi usado originalmente pelos gregos para dizer que uma pessoa passou a viver um caminho de volta ao criador, uma vida religiosa. Gostou?
Quanta cultura não? O que? Inútil? Tá bom, pensa assim!
Finalizando, isso me lembra aquele filme “A volta dos que não foram”
Quem não vai, nunca volta, a vida leva ao ápice da maturidade e então a viagem interior começa em busca do que não está do lado de fora. Esgotados os trabalhos e conquistado o reino externo, o homem pode fazer a viagem de retorno. Ao pó ou a Deus? Responda quem puder. 

Musica?
Olhando um cavalo bravo
No seu livre cavalgar
Passou-me pela cabeça
Uma vontade louca
De também ir
Para um cavalgar
Coração atrevido
Pernas de curioso
Olhos de Bem-te-vi
E ouvidos de boi manhoso
E lá vou eu mundo afora
Montado em meu próprio dorso.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

7:02


Tirem as crianças da sala!
Os de corações fracos, com o calibre das coronárias alterado, não devem prosseguir deste ponto, revelarei alguns mistérios do post mortem.
Há uns poucos anos, já se passariam, talvez, uns três anos da morte de meu Pai, tive um sonho daqueles que você lembra cada detalhe. Vou descrevê-lo de forma resumida e em seguida relatarei o que ocorreria na manhã seguinte ao sonho.
Estávamos em uma casa com muitos andares e numa espécie de sacada eu podia avistar o horizonte e era vermelho-alaranjado, quase uma mistura de anoitecer com início de tempestade, quase todos os meus sonhos são neste cenário. Por algum motivo que não me lembro, comecei a descer uma escada que ficava do lado externo da casa, talvez esta casa seja a do meu bisavô, que marcou minhas primeiras lembranças como ser humano, mas isso não importa tanto agora. Descendo o primeiro lance, a escada me levava agora para um porão, nada assustador, era grande e bem iluminado, lá estava meu Pai, de capa branca de cientista maluco, com seus cabelos fartos grisalhos. Mexia em algum artefato, uma mistura de rádio antigo com mesa de laboratório de química, ele nem se virou pra falar comigo, estava bem compenetrado e tinha uma lousa com algumas anotações em giz. Ele me dizia (era pra mim mesmo, porque ele virou o rosto e olhou pra mim como se me esperasse), não importa que horas você saia, sempre chega as 7:02 e repetia me mostrando algo que era como uma simulação de caminhos e pontos de partida, como se eu estivesse lendo a sua mente, naquele momento me eram claros, mas não sei precisar como eu visualizava as simulações. Repetiram-se por umas sete vezes (conta de mentiroso?) as simulações e sempre assim, ele finalizava,
 -não importa a hora que você saia, chegará sempre as 7:02.
Outras coisas aconteceram neste sonho, mas como isso já foi há uns três anos, não lembro com tantos detalhes. Acordei, graças a Deus não é? Tomei meu café e contei a história pra Cris. Como sempre, depois de tantos anos contando sonhos e com os detalhes ficando na cabeça e confundindo até mesmo quem conta, ficou por isso.
Quando fui sair pro trabalho, lembrei-me do estranho 7:02 e parei pra pensar se eu não estaria sugestionado com o meu horário de sempre, mas percebi que não, naquela época meu horário de chegada era umas 7:15. Claro que também percebi que naquele dia eu estava saindo mais cedo de casa.
No caminho, que demora aproximadamente vinte minutos, durante algumas vezes me lembrei do sonho e tentei adivinhar onde eu estaria passando naquele horário, mas sabe como é de manhã, a cabeça pensando mil coisas, o sono preenchendo os espaços e quando me dei conta, já estava subindo o ultimo trecho para chegar à fábrica e já eram 7:03, perdi o local exato e fiquei me culpando, teria sido na ponte, ou no cruzamento, qual teria sido o recado que perdi?
Cheguei à fábrica, chequei se os vidros estavam fechados, olhei para o relógio do carro e 7:04, tá bom, só um sonho sem sentido. Quando desliguei a chave e o display desapareceu da minha frente me veio à cabeça, “o relógio está sempre adiantado”, imediatamente liguei o celular e..................................................................................................................7:02

Lembro-me que naquele dia, desviei de caminhões, mudei meu trajeto habitual, estava fora do meu horário e simplesmente isso não importou, cheguei exatamente no horário que meu Pai e suas simulações disseram no sonho!
Senti-me reconfortado, com a visão de algo sobrenatural, nada seria mais impactante na minha mente do que números, e olha que números em sonhos são coisas raras, então a melhor maneira de me mandar um recado em que eu acreditasse seria essa. Ou, foi só coincidência, daquelas 1:1.000.000. Mas a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza!
Vá lá, esta não foi tão terrível e assustadora assim, principalmente pra você que está lendo e não pra mim que me arrepiei inteiro na hora em que vi as horas no celular.
O fato é que o ser humano precisa, desde os primórdios de sua existência, acreditar no criador incriado. Acreditar que a vida não acaba aqui, acreditar que exista uma razão além da proliferação da espécie para respirarmos, nos alimentarmos.
Se você não acredita, espera só que eu vou puxar seu pé à noite... rs



terça-feira, 18 de outubro de 2011

Rodas


Noite passada, meu filho teve um chilique, colocou uns carrinhos que acabáramos de comprar na mesa do Mcdonalds, lugar bem saudável pra levar crianças, e ele achou que a rodinha do carrinho não virava. Não tem coisa mais terrível para o meu filho que tem pouco mais de 2 anos e meio, do que um carrinho em que uma ou todas as rodinhas não rotacionam no seu eixo. Quase resolvi a crise de forma mais severa, mas a consciência falou mais alta e resolvi da forma mais didática que eu encontrei. Levei para o colo da mãe!
Esse episódio me remeteu a infância, meus carrinhos eram muito inferiores aos que existem hoje, principalmente porque brinquedos da Estrela, que naquela época eram brasileiros e da Átima (que era Ótima), nem passavam lá em casa. Os meus eram brinquedos de um plástico de péssima qualidade, as rodinhas ficavam presas por encaixes, daqueles que pareciam um gomo de mexerica, e rodavam plástico com plástico ou às vezes tinham um eixo metálico.
Lembro-me da pilha de carros no meu quarto, todos sem rodas, não suportava que meus carrinhos puxassem pra algum lado, quando os empurrava, se desviassem para um dos lados eu desmontava as rodas e tentava alinhá-las, mas pela qualidade das coisas, sempre acontecia o mesmo, ou o plástico quebrava, ou a haste metálica laceava o cubo plástico da roda e ficava tudo soltando, enfim, eu perdia as rodas e junto com elas o interesse em brincar com os veículos.
Estava escrevendo este texto, pouco antes de fazer uma viagem de férias, numa sexta feira à tarde e tive que parar de escrever. Recebi uma notícia triste.
Neste último ano, literalmente no último ano, visto que faz doze meses e uns dias que comecei minha terapia, passei a estudar uma matéria que muito me interessou, eu mesmo, mas uma coisa que não sei se acontece com todo mundo, voltou a acontecer: Aprendo melhor quando ensino.
Na psicanálise, passei a ser orientado para onde olhar, como olhar, de que forma entender sentimentos e isso acontecia num consultório, num divã, mas também acontecia pouco antes e pouco depois destas consultas na recepção do consultório. Conheci uma pessoa que tinha muito a perguntar, inicialmente sobre minhas opiniões, mas depois passou a falar sobre ela. Pude exercitar muito do que aprendia, vendo as colocações de uma moça que pra mim mais parecia uma criança, com problemas de criança, mas justamente problemas que costumamos não resolver quando viramos adultos. De muitas formas, sei que contribuí para seu amadurecimento, seu autoconhecimento e de forma bastante intensa, no seu bom humor, porque rir sempre é o melhor negócio e fazer piadas sobre problemas é uma das minhas virtudes. Para mim, os problemas são sempre menores do que as pessoas!
Mas o que aconteceu na última seção foi surreal, a Bárbara entrou na sala, pedindo à sua mãe (minha psicóloga), trocados para a condução, chorava de preocupação com a cirurgia que iria sofrer, eu brinquei dizendo que era bobagem, que ela era forte e me antecipei encontrando moedas na minha bolsa. Mal sabia que por ironia do destino, o que eu estava fazendo era dar-lhe as moedas para o barqueiro! Era a ultima vez que nos veríamos, então agora, desejo do fundo do coração que o barqueiro a tenha levando com segurança pra outra margem.
Ter este sentimento é o máximo que alguém pode fazer. Vou lembrar a última coisa que ela me disse sobre a vida que esperava. “Você sabe quando você sente que encontrou a tampa da sua panela”. Tenho certeza que ela estava feliz, espero que esse rapaz venha a saber, disso!
Voltando para as rodas, se elas correm em paralelo perfeitamente, somente suas sombras se tocarão.
Fazer algo bem feito é mais uma questão de princípios do que de educação, não sei ao certo se algo já nasce lá, ou bem no início de tudo se estabelece, nos exemplos, no ambiente, coisas que nos fazem olhar em uma direção, mas para coisas que sem os olhos nunca enxergaríamos.
Estes olhos, são figura de linguagem é claro, é tudo o que nos faz trazer o mundo de fora para dentro e depois de manipulá-lo, devolve-lo com a nossa marca. 
Meu Filho faz isso na mais tenra idade, mostra que vai fazer bem feito sempre e com diferenças e similaridades a mim.
Eu precisava que as rodas se mantivessem alinhadas, Ele precisa que elas girem. Um não querendo perder o controle e o outro querendo ir mais além. Acho que é uma ótima mistura!
E as borboletas do que fui
Pousam demais
Por entre as flores
Do asfalto em que tu vais...
E as Paralelas
Dos pneus n'água das ruas
São duas, estradas nuas
Em que foges do que é teu